Mesmo que com a roupagem do cristianismo, Rosalía rejeita a ideia de verdade absoluta ou da perfeição e costura o misticismo de mulheres dedicadas à fé absoluta com uma cidade construída no sincretismo religioso e no mistério no show da turnê "Lux", apresentado pela primeira vez nesta segunda-feira (10), no Rio de Janeiro.
O espetáculo da cantora espanhola cria rachaduras por onde as luzes entram e nos atingem em cheio enquanto estamos cercados pela hiperestimulação do mundo e das redes.
As concepções de mundo "real" e "divino" não se colocam distintas num show extremamente sensorial. Na turnê de "Lux", quarto álbum da artista, lançado em novembro de 2025, tudo se ancora na possibilidade de identificação com ídolos que parecem reais e admiráveis, conectados com a esfera humana da arte.
Rosalía testifica um trabalho interno fidedigno que se expande ao entorno, em uma linha limítrofe entre esses dois estados de espírito. O mais importante do show é a travessia, a experiência de dentro, do som, do corpo e do que se assiste.
"Eu seria muito amigo dela" ou "quero que ela seja minha amiga" foram frases ouvidas na pista. O universo simbólico criado em torno do álbum foi adotado positivamente pelos fãs engajados, que compareceram usando véus, saias e acessórios que lembram o catolicismo —crucifixos, tules e imagens de santos.










