Operístico, dançante, dramático, visual e lúdico, show da cantora espanhola teve juras de amor ao Rio, Marina Sena no confessionário, orquestra e pancadão eletrônico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger Era noite de chuva e de trânsito embolado numa segunda-feira no Rio de Janeiro. Um cenário deprê, não fosse por um detalhe: na Farmasi Arena, a espanhola Rosalía aguardava seu público para o primeiro dos dois únicos shows brasileiros da turnê do disco "LUX" (ela repete a dose na Farmasi esta terça). E o público não falhou com ela, sendo retribuído com uma torrente emocional e musical, muita beleza visual, simpatia, juras de amor ao Rio, Marina Sena e brincadeiras num português de quase Shakira. Vendido como um espetáculo de alta cultura — ópera, balé, música eletrônica experimental — “LUX” é, na verdade, bem menos sério que isso. No Rio, se poderia dizer que foi praticamente um Carnaval. O público, ao menos, foi preparado para um: todo produzido para a noite com véus, rendas, escapulários e transparências, só fervor, criatividade e pecado, bem de acordo com o clima do disco. Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger Eram 21h07, e, ainda com a as luzes acesas, soaram os primeiros acordes de “Angel”, de Jimi Hendrix. Logo, as luzes se apagaram e a tela do cenário de ópera (ou teatro de vanguarda) se abriu ao som da orquestra. De uma caixa, bem cenicamente, saiu então Rosalía, a bailarina, para iniciar o Acto I, com “Sexo, violencia y llantas” — no alto do palco, legendas em português acompanharam as canções nas muitas línguas em que ela cantou na noite. Com as emoções à flor da pele depois de “Reliquia”, a estrela iniciou sua comunicação com o público, que não deixou de cantar um verso sequer. E seguiu pela vigorosa “Porcelana”, entre a ópera, o trap, o reggaeton e o rock industrial. Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre alta cultura e baixos instintos 1 de 8 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger 2 de 8 Na Farmasi Arena, a espanhola Rosalía faz primeiro dos dois únicos shows brasileiros da turnê do disco "LUX" — Foto: Silvio Essinger X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger 4 de 8 Marina Sena surgiu para um muito bem humorado número, que Rosalía tirou de letra, sapeca, entre o português e o espanhol — Foto: Silvio Essinger X de 8 Publicidade 5 de 8 Entre o sagrado e o profano, a alta cultura e os baixos instintos, Rosalía mostrou que sabe como fazer um espetáculo — Foto: Silvio Essinger 6 de 8 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger — Foto: Silvio Essinger X de 8 Publicidade 7 de 8 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger 8 de 8 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger X de 8 Publicidade Cantora faz dois shows no Rio durante turnê Depois de louvar, em português, o Rio, o pão de queijo e a feijoada (e de pedir que corrigissem sua pronúncia de “caralho”), Rosalía embarcou na intensa “Mio Cristo piange diamanti", a catarse lírica para fechar o ato. No Acto II, a ópera continuou com “Berghain”, puxando para a batida do techno. Mas aí a cantora lembrou: “vocês tambem vieram aqui para mexer a bunda!” E foi a vez de “SAOKO”, “LA FAMA” e “LA COMBI VERSACE”, pedradas dançantes do disco "Motomami" (2022). O trap flamenco “De madrugá” fechou o ato, com Rosalía em êxtase entre os bailarinos (uma parte fundamental do seu show, sempre muito criativos). Na Farmasi Arena, a espanhola Rosalía faz primeiro dos dois únicos shows brasileiros da turnê do disco "LUX" — Foto: Silvio Essinger Uma cena do Calvário abriu o Acto III, seguida do velho “Can't take my eyes off you” (de Frankie Valli e os four Seasons) em versão de arrepiar os cabelos no jogo teatral criado pela cantora. Mas acabou esta, ela avisou: “Chegou a hora de confessar!”. E para o confessionário, chamou “alguém que eu admiro muito, porque ela é puro fogo”: Marina Sena, que surgiu para um muito bem humorado número, que Rosalía tirou de letra, sapeca, entre o português e o espanhol. Bela balada de piano, “Sauvignon blanc”, ganhou as luzes dos celulares do público, que se divertiu muito imitando poses de pinturas clássicas exibidas no telão – outra das brincadeiras propostas por Rosalía (ao invés do “strike a pose” de Madonna, “imita la pose”). Marina Sena surgiu para um muito bem humorado número, que Rosalía tirou de letra, sapeca, entre o português e o espanhol — Foto: Silvio Essinger E a festa continuou, entre a plateia, no Acto IV com “Dios es un stalker”, “La rumba del perdón” e “CUUUUuuuuuute”, faixa que emula samba e funk carioca, com uma espécie de turíbulo em forma forma de caixa de som, com luzes, sobrevoando a plateia, em uma das belas sacadas visuais do show. E o Acto V, o final não poderia ser outro: um bailão, com “BIZCOCHITO” (que ficou bom com cordas), “DESPECHÁ” e, no bis, um “Magnolias”, que trouxe de volta a dramaticidade do começo da noite, para um adequado gran finale. Entre o sagrado e o profano, a alta cultura e os baixos instintos, Rosalía mostrou que sabe como fazer um espetáculo.