Medicamentos que reduzem o apetite também podem alterar a composição corporal; especialistas explicam como alimentação e treino de força entram nessa equação. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Emagrecimento com canetas: entenda o que acontece com a massa muscular — Foto: Magnific As chamadas canetas para emagrecimento seguem em alta nas redes sociais, impulsionadas também por relatos de personalidades públicas sobre perda de peso e mudanças no corpo. Com a popularização de medicamentos que atuam nas vias do GLP-1, a conversa começa a ir além dos quilos eliminados: especialistas chamam atenção para o que acontece com a composição corporal durante esse processo. Canetas emagrecedoras: por que o rosto muda após a perda rápida de pesoMulheres com lipedema estão recorrendo às canetas de emagrecimento? Entenda os limites Semaglutida, liraglutida e tirzepatida são utilizadas, conforme a indicação médica, no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Ao reduzir o apetite e a ingestão de alimentos, esses medicamentos podem levar a uma perda significativa de peso. Nesse processo, porém, a composição corporal também merece atenção. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 na revista "Diabetes, Obesity and Metabolism", com 20 ensaios clínicos e 15.782 participantes, mostrou que parte do peso eliminado corresponde à redução de massa magra. Os autores ressaltam, porém, que esse resultado não significa que toda essa parcela seja necessariamente de tecido muscular. "Quando uma pessoa emagrece rapidamente, principalmente utilizando medicamentos que reduzem o apetite, existe o risco de perder não apenas gordura, mas também massa muscular", explica Fabio Aquino, profissional de Educação Física e especialista em Fisiologia do Exercício. O medicamento causa perda de músculo? A resposta não é tão direta. Segundo o ortopedista Carlos Cedano, os medicamentos não atuam diretamente destruindo o tecido muscular. A preocupação está principalmente na redução da ingestão alimentar. "As medicações não têm uma ação direta sobre o músculo, porém, o problema está basicamente no seu mecanismo de ação, já que elas reduzem o apetite de forma significativa", afirma. Quando a quantidade de comida diminui muito, pode ficar mais difícil atingir as necessidades de proteínas e outros nutrientes. Esse cenário, no entanto, não é exclusivo dos medicamentos: dietas muito restritivas e outros processos que provocam perda rápida de peso também podem levar à redução de massa magra. Por isso, o acompanhamento da composição corporal ganhou espaço na discussão sobre a chamada "qualidade" do emagrecimento. Além do peso, força, capacidade física, alimentação e, quando indicado, medidas de composição corporal ajudam a entender como o organismo está respondendo ao tratamento. Alimentação e exercício entram na conta Com menos fome, algumas pessoas passam a comer quantidades menores e podem ter dificuldade para atingir a ingestão adequada de proteínas e micronutrientes. Para a nutricionista Rosângela Silva, esse é um dos pontos que precisam ser considerados durante o processo. "Uma estratégia nutricional adequada assegura o processo. Sem isso, a pessoa até emagrece, mas sofre com resultados prejudiciais que resultam em perda de força, fadiga, deficiência de vitaminas e minerais e redução da massa muscular", detalha. A alimentação, porém, precisa ser individualizada. Idade, rotina, composição corporal, exames e nível de atividade física são alguns dos fatores que devem orientar as escolhas. A recomendação não é simplesmente aumentar a quantidade de proteína por conta própria, mas garantir que a alimentação continue fornecendo os nutrientes necessários durante a perda de peso. O exercício também tem papel importante. Entre as estratégias estudadas para preservar a musculatura, o treinamento de força aparece como uma das principais. Uma revisão publicada em 2026 aponta que a combinação de ingestão adequada de proteínas e exercícios resistidos pode favorecer a preservação da massa muscular durante o emagrecimento. "O objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas construir um corpo mais saudável e funcional. A perda de peso precisa vir acompanhada de qualidade muscular e melhora da capacidade física", destaca Fabio. E depois que o peso diminui? A manutenção dos resultados também faz parte do processo. Alimentação, atividade física e relação com o próprio corpo continuam sendo aspectos importantes depois da perda de peso, e não apenas enquanto a balança está descendo. A psicanalista Cintia Castro chama atenção para a adaptação à nova rotina: "O processo em si já mexe com a saúde mental porque temos que lidar com um novo comportamento ocasionado pela falta de apetite." Para algumas pessoas, essa mudança também pode repercutir na relação com a comida e em situações sociais que envolvem refeições. Por isso, o bem-estar emocional merece espaço no acompanhamento, especialmente quando a nova rotina começa a interferir na vida cotidiana.