Piscinas com tecnologia para a prática de surfe se multiplicam pelos estados brasileiros e se consolidam como um novo atrativo no mercado nacional 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mergulho longe do mar: praias artificiais em cidades distantes do litoral vêm se tornando uma febre em vários estados do país, fomentando o mercado imobiliário no entorno dos projetos — Foto: FOTOS DE RESERVA BEACH CLUB/DIVULGAÇÃO Há menos de uma década, a inauguração da primeira praia artificial com piscina de ondas para surfe do Brasil surpreendeu o mercado e chamou a atenção para um conceito até então inédito no país: a Praia da Grama, em Itupeva (SP), em julho de 2021. Pioneira em um condomínio residencial, a orla com 160 metros de extensão mudou a dinâmica do empreendimento e abriu caminho para uma tendência que tem se espalhado pelo território nacional. Só no estado de São Paulo, outros três complexos voltados à prática do surfe foram inauguradas nos últimos anos — no condomínio Boa Vista Village, em 2023, em Porto Feliz; e nos clubes São Paulo Surf Club e Beyond The Club, ambos na capital paulista, no final de 2025. Isso sem contar as “prainhas” apenas para banho em resorts como o Tauá e o Bourbon Atibaia, no interior paulista. Outros estados também já têm “surf parks”, como o Surfland Brasil, em Garopaba (SC), ou em construção, como é o caso do Brasil Surf Club, em Búzios, na Região dos Lagos do Rio, e do Inzuma Resort, em Sergipe. Ao todo, são 15 projetos com piscinas de ondas em desenvolvimento, tornando o país o maior mercado do mundo para este tipo de equipamento de lazer. “É um sucesso! Quando há um projeto como essa na cidade, todos os imóveis ao redor se valorizam”, afirma Mauricio Gariglia, empresário e CEO da incorporadora BR Soho, que lidera o projeto Reserva Beach Club, recém-lançado na região de Alphaville, na Grande São Paulo. Ele cita o exemplo da própria Praia da Grama, no condomínio Fazenda da Grama, que viu o valor do metro quadrado dos terrenos saltar de R$ 250 para R$ 2,5 mil por causa da nova atração. O Boa Vista Village, que tem “surf park”, está associado a restaurantes e a um centro de compras com lojas de grife, foi uma das três praias voltadas ao surfe inauguradas nos últimos anos no estado de São Paulonacional — Foto: KSM REALTY/DIVULGAÇÃO Com investimento de R$ 1 bilhão, o empreendimento deverá contemplar projetos residenciais em uma segunda fase. A primeira prevê a “praia” de 25 mil metros quadrados, equipada com tecnologia Surf Loch (EUA), que vai produzir ondas de até dois metros de altura. A piscina terá capacidade para receber até 50 surfistas simultaneamente. “A decisão de fazer um clube, e não apenas mais um loteamento, deve-se à carência de lazer de qualidade na região. Alphaville tem 83 mil famílias, e uma viagem de carro de lá até destinos como Ilhabela, por exemplo, pode chegar a nove horas nos feriados de verão. Essa dificuldade de deslocamento nos motivou a investir neste projeto”, diz Gariglia. O Reserva Beach Club tem 4,2 mil títulos de sócio à venda, por valores que variam de R$ 390 mil a R$ 690 mil, conforme a categoria. No complexo, haverá o Galácticos House, um clube privado para apenas 300 associados, com quadras de tênis e arenas esportivas, concebido pelo ex-jogador Ronaldo Nazário, que também é investidor do Reserva. O valor atual para adesão está em R$ 1,1 milhão, mas o candidato deve ser aceito por um comitê para desfrutar do espaço. Em fase inicial de construção, a piscina com ondas do condomínio Fazenda Vista Verde, em Araçoiaba da Serra (SP), terá um quilômetro de extensão. A tecnologia é da empresa espanhola Wavegarden, referência mundial no segmento, e terá capacidade para gerar mil ondas de 20 tipos diferentes por hora. “É um projeto que contemplará todas as experiências possíveis de uma praia artificial, além do surfe. O diferencial é o ‘beach club’ La Susanna, que fará parte do hotel VIK, marca internacional que estreará no Brasil neste empreendimento”, explica Dalia Estrada, diretora de Arquitetura da LN Urbanismo, dona do complexo. A inauguração está prevista para 2027. Inaugurada em 2021, a pioneira Praia da Grama, em Itupeva (SP), com uma orla de 160 metros de extensão, mudou a dinâmica do empreendimento e abriu caminho para essa nova tendência no país — Foto: FLAVIA REMUS/JHSF/DIVULGAÇÃO Impacto positivo Na Zona Sul da capital paulista, tanto o São Paulo Surf Club, da JHSF, quanto o Beyond The Club (BTC), da KSM Realty com o BTG Pactual Asset Management e o Realty Properties, têm registrado forte adesão ao programa de “membership”. No BTC, por exemplo, o número de usuários chega a 1,2 mil pessoas por dia nos finais de semana, e em torno de 800, em dias úteis. Cerca de 70% dos três mil títulos de sócio já foram vendidos. O valor médio está em R$ 900 mil e dá direito ao uso livre de áreas comuns, piscina, academia, quadras de esportes de areia, ginásio poliesportivo e bicicletário — todos mediante disponibilidade. A piscina de surfe, as quadras de tênis, os simuladores de esqui, golfe e automobilismo, o “coworking”, a pista de skate e a arena de luta demandam pagamento de taxa extra. E ainda há uma contribuição mensal de R$ 2,45 mil por título para cobrir as despesas operacionais e de manutenção do clube.O impacto no mercado imobiliário já foi sentido: o preço do metro quadrado nos bairros ao redor do BTC teve valorização de até 80% desde o anúncio do empreendimento, em 2022. “É um projeto disruptivo, grandioso e complexo de fazer. E a piscina de ondas é uma âncora importante para que outros negócios sejam gerados e o empreendimento ganhe valor e consiga se pagar”, avalia José Luiz Lemos, sócio do escritório aflalo/gasperini arquitetos, responsável pelo conceito do BTC. Segundo ele, todos os clubes em São Paulo tiveram aumento de demanda nos últimos anos. “No caso das praias artificiais, esses ambientes estimulam o convívio social e o bem-estar ao ar livre, algo muito valorizado pelas pessoas depois da pandemia”, afirma.
Praias artificiais geram uma nova onda imobiliária
Piscinas com tecnologia para a prática de surfe se multiplicam pelos estados brasileiros e se consolidam como um novo atrativo no mercado nacional







