Além de duas piscinas para o surfe, São Paulo conta com oito pistas para a prática do esqui e do snowboard; equipamentos têm atraído desde iniciantes até praticantes experientes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Snowboard e esqui na 'neve' viram febre na maior metrópole do país — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/07/2026 - 20:58 São Paulo se Consolida como Polo de Esportes de Neve com Novas Pistas de Esqui São Paulo, a maior metrópole do Brasil, tem se tornado um polo de esportes de neve com a inauguração de oito pistas de esqui e snowboard. As instalações, que simulam condições de neve e montanha, atraem tanto iniciantes quanto praticantes experientes. A prática tem se consolidado como treino físico, além de preparação para viagens. As aulas, com preços entre R$ 300 a R$ 350, têm alta demanda, especialmente na temporada de neve. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Além de duas piscinas para o surfe inauguradas nos últimos meses, o público de alta renda de São Paulo agora conta com equipamentos para praticar outros esportes que a natureza da cidade não permite: o esqui e o snowboard. Com a abertura, em junho, de um simulador de esportes de neve no Beyond the Club, a capital passa a reunir quatro endereços voltados ao treinamento de manobras e aprimoramento de técnicas. Juntos, os espaços — que incluem a Slopes, a Movitta e a Born to Ski, todos inaugurados a partir de maio de 2024 — somam oito pistas para as modalidades, algumas com lotação esgotada. Programados para reproduzir diferentes condições de neve, níveis de inclinação e percursos de montanha, além de monitorar métricas de desempenho dos alunos, os equipamentos têm atraído desde iniciantes até praticantes experientes que buscam melhorar a performance antes de uma viagem. Na Born to Ski e no Beyond the Club, as aulas funcionam em equipamentos similares. Trata-se de uma grande esteira inclinada conforme o nível do aluno, com velocidade controlada pelo professor. Não faz frio no ambiente. Por cima da esteira, um tapete de fibra plástica é hidratado o tempo todo por pequenos irrigadores de água na borda do equipamento. Pista é ajustada conforme o nível do aluno — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo Pista móvel A textura lembra a neve, mas com mais atrito do que num cenário real. A vantagem do aprendizado nos simuladores é o ambiente controlado com barras de apoio, espelho e auxílio constante do professor. — O esqui é uma modalidade não intuitiva. Tudo o que você acha que está certo é exatamente o oposto. Nossa primeira reação ao perigo é jogar o corpo para trás, abrir as pernas e tentar sobreviver. Só que o esqui exige o peso para frente, controle na perna de fora e total confiança — resume Flavio Melo, treinador de instrutores no Beyond the Club. A Slopes e a Movitta têm outro tipo de equipamento, utilizado, inclusive, pela equipe americana de esqui. Os simuladores da SkyTech Sports não são esteiras e custam cerca de R$ 1 milhão cada. Os dispositivos reproduzem a biomecânica exata do esqui na neve em um ambiente fechado. O aluno utiliza botas e esquis — ou snowboard — reais sobre uma pista móvel, que simula os movimentos lateralmente. Com o aparelho, é possível alterar o grau de inclinação do simulador e a velocidade conforme o nível do aluno, além de apurar a métrica do desenvolvimento a cada sessão. As unidades também contam com uma tela que reproduz os movimentos do praticante e simula visualmente a descida de uma montanha. O aluno tem a alternativa de escolher “esquiar” em diferentes tipos de aclive, e os professores podem inserir obstáculos na pista, alterar a textura da neve ou incluir ondulações que simulam um trajeto real. — É um treino que trabalha cardio e musculatura de várias formas diferentes. O equipamento não quer substituir a experiência na montanha, mas é um equipamento de treinamento. É um supertreino fitness mesmo — frisa Jackson Rabello, fundador da Slopes. Os treinos duram uma hora: 30 minutos no simulador e outros 30 de preparação funcional, com foco no condicionamento físico e no aperfeiçoamento técnico. Na Vila Olímpia, a Born to Ski registra alta demanda para as suas duas pistas desde que inaugurou, em outubro de 2025; uma nova unidade será aberta em Pinheiros em agosto. O empreendimento chegou a registrar 100% de ocupação durante seis meses consecutivos, entre dezembro e maio, e mantém média de 84 alunos por dia, ou aproximadamente 2.500 aulas mensais. O interesse pelo esporte tem atraído um público diversificado. Na Born to Ski, 55% dos frequentadores são homens e 45% mulheres. A faixa etária predominante está entre 35 e 55 anos, embora haja aulas para crianças a partir dos 5 anos. Aproximadamente dois terços dos alunos praticam esqui, e um terço o snowboard. Já nas unidades da Movitta e Slopes, a demanda aumenta conforme se aproxima a temporada de neve, chegando a cerca de 50 atendimentos diários na alta temporada. Os preços das aulas variam de R$ 300 a R$ 350 — e, no Beyond the Club, por ser um clube privado, é necessário ter um título de associado que passa dos R$ 600 mil. É lá também onde está instalada uma praia artificial e uma piscina de surfe. Para o treinamento de esqui, o simulador do clube recebe até 80 pessoas por dia. — Buscamos personalizar ao máximo a experiência, então a dinâmica das aulas varia conforme o nível e os objetivos de cada aluno — diz Caio Segall, diretor de marketing da KSM e sócio idealizador do Beyond the Club. Habituada a esquiar desde os 12 anos, Vanessa Shibuya, de 33, conta que a experiência no simulador foi, a princípio, desafiadora, mas que logo pegou o jeito: — Demorei um pouco para me acostumar com a sensação de estar com os pés sempre a uma distância fixa, mas depois que acostumei, consegui esquiar de forma mais fluida e solta. Senti que ajudou muito a estabilizar o tronco e melhorar a angulação dos esquis. A parte de condicionamento físico, então, nem se fala, melhorei absurdamente ao longo das aulas. ‘Supernovo e diferente’ Embora boa parte dos alunos procure as aulas como preparação para viagens a locais de neve, os responsáveis afirmam que a atividade também vem se consolidando como uma modalidade de condicionamento físico. A médica e competidora amadora de esqui alpino Grazielle Lorenzini é aluna no Slopes e relata os benefícios da prática do esqui nos simuladores na sua rotina: — Diferentemente de outras atividades físicas, eu acho que o esqui indoor me traz liberdade. Algo supernovo e diferente. E temos exercícios totalmente diferentes dos de uma academia convencional. É muito bom para a melhora técnica, correção da postura, treino de força e resistência. Enfim, melhora toda a performance no esporte. As escolas também atraem turistas e visitantes de fora de São Paulo e do Brasil. Para os empresários, a proposta é ampliar o acesso ao esporte. De acordo com Marco Parizotto, gerente de relações institucionais da Born to Ski, cerca de 80% dos alunos do espaço têm alguma viagem programada: — Nossa escola é um complemento. Uma pessoa que vai para o Chile pode nunca ter esquiado, mas se fizer dez aulas conosco, ela chega lá e esquia numa pista azul (nível fácil de dificuldade) no primeiro dia. (*Estagiária sob supervisão de Pedro Carvalho)
'Let it go' à paulistana: snowboard e esqui na 'neve' viram febre na maior metrópole do país
Além de duas piscinas para o surfe, São Paulo conta com oito pistas para a prática do esqui e do snowboard; equipamentos têm atraído desde iniciantes até praticantes experientes







