Pela primeira vez em quase três décadas, o Brasil inverteu a balança comercial do setor de calçados. Em julho deste ano, as curvas de importação e exportação se cruzaram e o país importou US$ 66 milhões (R$ 382 mi) em pares de chinelos, sandálias e sapatos, contra US$ 62 milhões (R$ 314 mi) exportados.

O resultado é inédito desde pelo menos 1997, mas reflete a trajetória da indústria calçadista nesse período, com receitas de exportação cada vez menores e um aumento progressivo das importações desde o início da última década.

Entre janeiro e julho deste ano, as importações de calçados somaram US$ 373 milhões (R$ 1,9 bi) e cerca de 30 milhões de pares, aumento de 10% em relação ao valor das importações do mesmo período de 2025. As exportações, embora mais significativas, registraram queda de 18% em receita.

A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) compilou os dados, gerados pela Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). A associação pede a imposição de barreiras comerciais contra a entrada da produção asiática no Brasil, como já mostrou a Folha.

O resultado desfavorável para a indústria nacional é uma provável combinação da retração nas vendas aos mercados americano e argentino, que são os dois principais destinos dos exportadores de calçados, e do aumento da entrada de sapatos de menor preço vindos da China, do Vietnã e da Indonésia, diz a associação.