Secretaria de Segurança Pública informou que polícia estava atrás de gangue do ‘quebra-vidro’, mas candidato diz que a abordagem ocorreu uma hora e meia antes da suposta busca 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Haddad no debate da Band — Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou, nesta quinta-feira (13), que espera um “esclarecimento” sobre a suposta tentativa de intimidação de agentes da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP), após o seu motorista ter sido seguido por cinco quilômetros na noite de terça-feira (11). Em entrevista no interior do estado, Haddad afirmou que o horário em que ocorreu uma busca policial na região, motivo alegado pela corporação para a abordagem ao candidato, não bate com a cronologias dos fatos. O petista retornava para casa depois de um evento na faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, quando foi parado por um PM e em seguida liberado. Após ele ter sido deixado em casa, seu motorista seguiu com o veículo e teria sido seguido por mais cinco quilômetros, relatou. O secretário de Segurança Pública, Delegado Osvaldo Nico, entrou em contato com Haddad, que lhe contou o que aconteceu. Segundo a versão do titular da pasta, policiais faziam uma operação contra quatro suspeitos de roubarem celulares na Avenida 9 de Julho, em São Paulo, quando abordaram o veículo do candidato. Haddad, porém, refuta essa versão afirmando que os horários não batem. — Me mandaram um boletim de ocorrência de um outro episódio das 11h10 da noite, uma hora e meia depois do que aconteceu, dizendo que aquela abordagem se deveu ao fato de que ocorreu um roubo às 11h10 da noite. Eu falei “o que aconteceu comigo foi às 9h45”. Então a menos que haja algum programa de inteligência sobrenatural que possa antecipar um crime em uma hora e meia, não fazia sentido nenhum aquela abordagem — falou durante visita à Fenasucro e Agrocana, em Sertãozinho (SP). Ele disse que quer esclarecer o ocorrido “para que alguém peça desculpas” e que não quer “dramatizar nada”, e sim que os cidadãos sejam “respeitados pelo poder público”. Haddad ainda questionou por que o motorista foi seguido se, na abordagem, ele já havia sido identificado pelos policiais. A abordagem terminou em um hotel na Rua Estela, na Vila Mariana. — Colocaram a lanterna forte da polícia no parabrisa do meu carro, então ou eles não identificaram ninguém. Ou me identificaram. Então, se não identificaram ninguém e liberaram, por que perseguir depois? — disse. — O motorista que trabalha comigo é um pequeno empreendedor, uma pessoa que tem família e se sentiu muito constrangido porque foi perseguido durante cinco quilômetros depois de ter me deixado em casa. Eu falei para ele por onde eles passaram, o hotel onde ele foi abordado, indicamos a câmera. Explicamos a importância de recuperar a câmera do hotel, e também tem câmera da prefeitura ali. Então não deve ser difícil apurar o que aconteceu. O boletim de ocorrência, emitido pelo 27º Distrito Policial, do Campo Belo, relata o crime ocorrido na Avenida Nove de Julho, em que um grupo quebrou vidros de carros para roubar aparelhos celulares. Os policiais em patrulhamento de rotina foram abordados por testemunhas relatando o crime, segundo o documento, e iniciaram as buscas por um veículo "Kicks preto". Não há menção ao episódio com o motorista de Haddad, apenas o desfecho do caso. O motorista do candidato dirigia um Fusion prata. Os agentes também não estariam portando câmeras corporais ("bodycams") durante o serviço, aponta o BO. "No interior do automóvel, foram encontrados cinco celulares. Três estavam na posse de cada um dos indivíduos e, dos outros dois, eles não souberam dizer quem seria o dono. Oito vídias (metal duro usado para quebrar vidros) foram localizadas dentro do carro. Os indivíduos negaram ter praticado furto", registrou a Polícia Civil. A apreensão do veículo ocorreu na Avenida Indianópolis, nº 500, disseram os policiais. O documento menciona ainda que uma outra equipe prendeu um adolescente no cruzamento da Av. 9 de Julho e a R. Japão e que ele teria confirmado a participação na gangue. "Estava em correria, quando os policiais o avistaram; trazia consigo um celular e um vídia, sua mão estava machucada, com pequeno sangramento. (Nome omitido) obedeceu à voz de parada dos policiais, parando de correr. Ele contou que fazia parte do grupo que estava no Kicks (...) e que aquele celular que estava com ele fora furtado." Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que “determinou à Polícia Militar que fossem identificadas as equipes que estiveram ou passaram pela região no período informado para apurar as circunstâncias do episódio. O secretário da pasta, Osvaldo Nico Gonçalves, entrou em contato com o candidato Fernando Haddad em busca de informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada, a fim de contribuir na investigação. Qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado".
Haddad questiona explicação da PM para abordagem devido a diferença em horários: ‘Quero esclarecer para que alguém peça desculpas’
Secretaria de Segurança Pública informou que polícia estava atrás de gangue do ‘quebra-vidro’, mas candidato diz que a abordagem ocorreu uma hora e meia antes da suposta busca














