Falha em linha de trem concedida à empresa Trivia e acidentes envolvendo a Sabesp têm sido exploradas por pré-campanha do PT ao Palácio dos Bandeirantes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), à esq., e o incumbente, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — Foto: Brenno Carvalho/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 21:58 Haddad critica privatizações de Tarcísio em pré-campanha ao governo paulista Problemas em serviços privatizados em São Paulo estão sendo usados por Fernando Haddad (PT) contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em sua pré-campanha ao Palácio dos Bandeirantes. Falhas em linhas de trem e acidentes em obras da Sabesp são explorados para criticar a gestão atual. Tarcísio endureceu o discurso de fiscalização e repensa concessões no transporte público. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A sequência de problemas envolvendo serviços privatizados ou concedidos à iniciativa privada em São Paulo sob a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) virou munição para a pré-campanha de Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes e para aliados do petista, que já falam na revisão de contratos e exploram o tema nas redes sociais para desgastar a imagem do governador. Tarcísio, que disputa a reeleição, por sua vez, endureceu o discurso de fiscalização e repensa as estratégias de concessão especificamente no transporte público. Nesta quinta-feira (24), as falhas na Linha 12 (Safira), cuja operação havia sido assumida há apenas três dias pela Trivia Trens (do Grupo Comporte), causaram caos na Grande São Paulo: um trem pegou fogo com passageiros, que tiveram de andar pelos trilhos. As imagens circularam pelas redes e rapidamente passaram a ser usadas por Haddad e seus aliados para criticar a gestão estadual. Mas o episódio não é isolado. Os acidentes envolvendo obras da Sabesp, cuja privatização é uma das principais vitrines eleitorais de Tarcísio, também vêm sendo explorados pelo entorno do petista, de olho em refutar a imagem de bom gestor na qual o governador se ampara. Em maio, uma explosão em uma obra da Sabesp no Jaguaré, Zona Oeste da capital, deixou dois mortos, que se somaram a outras duas mortes em acidentes durante obras da empresa desde que ela foi privatizada pela atual ge. A estratégia eleitoral dos petistas inclui a busca do desgaste público do governador, usando nas redes sociais vídeos das falhas nas linhas de trem acompanhadas de entrevistas de Tarcísio defendendo as privatizações como solução para os passageiros. Poucas horas após a falha, ainda na quinta-feira, petistas já passaram a impulsionar vídeos no Instagram e no Facebook dos problemas nas linhas 11 (Coral), 12 (Safira) e 13 (Jade) para criticar Tarcísio. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) foi um deles. Ele chamou o episódio de “desrespeito” à população e criticou o que classificou de “sanha privatista” de Tarcísio. Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, postou no X que "Tarcísio privatiza primeiro e explica depois". – Modelo de gestão do Tarcísio: privatiza primeiro e explica depois. Dias após entregar as linhas 11, 12 e 13 à iniciativa privada, São Paulo está um caos, milhões de passageiros afetados, gente andando pelos trilhos e um trem que pegou fogo. O lucro é privado. O prejuízo é para o trabalhador – disse Boulos. A vereadora Luna Zarattini (PT) afirma que as linhas com problema na véspera deveriam ser reestatizadas. – Restauração temporária não resolve: exigimos o fim dessa privatização! Devolver a operação para a CPTM por apenas 90 dias é um remendo completamente insuficiente para o tamanho do desastre promovido por Tarcísio de Freitas – afirmou a vereadora. Haddad, no entanto, tem evitado falar em reestatização da Sabesp ou em rescisão de concessões ao setor privado, mas argumenta ser necessária uma "análise detalhada" dos contratos. Ele tem citado que eventuais problemas em contratos não se restringem a São Paulo, mas que Tarcísio também teria errado em concessões de ferrovias quando era ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro (PL). — Nós temos um problema grave de gestão em São Paulo. Ao mesmo tempo, temos uma Sabesp privatizada, com um contrato péssimo, deixando faltar água, reduzindo a pressão nas torneiras e gerando relatos de odor na água. E a conta ainda está subindo, quando a promessa era justamente fazê-la diminuir. Vou analisar o contrato da Sabesp, o do Centro Administrativo e os da CPTM, que vêm apresentando tantos problemas – afirmou o ex-ministro da Fazenda nesta quinta. Tarcísio reforça papel das agências reguladoras Tarcísio, por outro lado, tem reforçado o papel das agências reguladoras estaduais, como a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), responsáveis por fiscalizar as concessões de serviços de transporte, infraestrutura, água e gás. A fim de contornar a crise nas linhas operadas pela Trivia Trens, o governo rapidamente determinou que a CPTM retomasse a operação conjunta dos ramais por 90 dias. Na avaliação de aliados, isso mostra que o governo “agiu rápido”, além da medida dar fôlego contra eventuais críticas durante o período eleitoral, já que a operação agora retorna à supervisão empresa pública até depois do primeiro turno. — A empresa precisa se preparar melhor para assumir esse cargo, é inaceitável o que aconteceu hoje, a gente não vai tolerar. Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai ter as sanções e a gente também não vai hesitar em tirar a empresa do contrato e aplicar uma caducidade — afirmou o governador na quinta, ao ser questionado sobre o tema, durante agenda em Ourinhos (SP). Apesar do discurso do governador ser no sentido de responsabilizar a concessionária, o candidato ao Senado em sua chapa, Guilherme Derrite (PP), publicou um vídeo em suas redes sociais pontuando uma suspeita de “sabotagem” nas linhas concedidas ao privado. — Será que isso é coincidência? Quando eu era secretário de Segurança Pública, muitos inquéritos policiais foram instaurados com indícios de sabotagem nas linhas concessionadas. Estamos a menos de três meses das eleições, obviamente um processo vai investigar o real motivo desse incêndio, mas não é muita coincidência? — indagou. Possível mudança de rota Atualmente, a maior parte do transporte sobre trilhos paulista é operada pela iniciativa privada, por três grupos diferentes. A Motiva (antiga CCR) administra as linhas 4 (Amarela), 5 (Lilás), 8 (Diamante) e 9 (Esmeralda). Já o Grupo Comporte, sob os nomes TIC Trens e Trivia Trens, opera as Linhas 7 (Rubi), 11 (Coral), 12 (Safira) e 13 (Jade). A Linha 10 (Turquesa) é a única de trem que permanece sob a tutela da CPTM. A recém-inaugurada Linha 6 (Laranja) é operada pela Linha Uni, da Acciona. As Linhas 1 (Azul), 2 (Verde), 3 (Vermelha), 15 (Prata) e 17 (Ouro) permanecem públicas. A concessão das linhas metroferroviárias em São Paulo a empresas privadas começou na gestão Geraldo Alckmin (hoje no PSB, na época do PSDB), mas Tarcísio assumiu o governo com a promessa de avançar nessa transferência, e chegou a sinalizar que pretendia privatizar todas as linhas do metrô. Recentemente, porém, ele mudou de ideia: afirmou que não pretende passar a Linha 17 para a Motiva a partir do início da operação comercial, conforme estava previsto em contrato, e que não vai mais privatizar os outros quatro ramais operados pelo Metrô, empresa pública do estado. A decisão foi motivada, segundo ele, pela percepção de que a estatal "está fazendo um grande trabalho" e ponderou que não há tantos players no mercado atualmente, o que reduz a concorrência no setor de concessões de transporte metroferroviário. A medida representou uma mudança de rota em relação ao que ele vinha adotando durante todo o mandato. Para a construção de futuras novas linhas, entretanto, o governador não descarta novas parcerias com concessionárias privadas.