Petista vai divulgar plano para segurança pública antes de fechar programa de governo, com propostas para combater crime organizado, roubos de celular e violência contra as mulheres 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 18:19 Haddad prioriza segurança pública em propostas para SP em 2024 Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, prioriza segurança pública e antecipa propostas antes do programa de governo. As medidas incluem combate ao crime organizado, redução de furtos e violência contra mulheres, uso de inteligência artificial e câmeras corporais para a polícia. O plano visa contrastar a gestão atual de Tarcísio de Freitas, gerando trocas de críticas entre os grupos políticos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Assunto tratado como prioridade pelo grupo de Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, a segurança pública tem sido objeto de disputa antecipada contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição. A ponto de gerar provocações e respostas públicas entre aliados, antes mesmo das convenções partidárias e do início oficial das campanhas. A violência é a principal preocupação dos paulistas, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril. Haddad pretende apresentar propostas de segurança antes do plano de governo como um todo e tem consultado especialistas nos últimos meses, entre eles Leandro Piquet, professor da Universidade de São Paulo (USP), e Benedito Mariano, sociólogo do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE). O documento, segundo apurou o GLOBO, deve contar com três eixos temáticos. O primeiro aproveita o reflexo positivo da Operação Carbono Oculto para defender o combate ao crime organizado “no andar de cima”, a partir de dados de inteligência e atuação integrada com órgãos federais. Outro ponto importante será a segurança no espaço urbano, focando ações para combater roubos e furtos de celular, por exemplo, aumentar a sensação de segurança da população e retomar o controle de territórios. Já o terceiro eixo envolve a proteção de grupos vulneráveis, principalmente o combate à violência contra a mulher. A campanha promete ainda dedicar um capítulo ao uso da inteligência artificial (IA) para identificação e análise automatizada de dados, e atuar para reduzir os índices de letalidade policial. O deputado estadual Emídio de Souza (PT), que coordena o programa de governo de Haddad, disse ao GLOBO que as propostas devem ser fechadas na próxima semana. — São várias propostas, como o combate ao crime organizado, com cooperações interfederativas, com outros estados, com guardas municipais, com órgãos como a Receita Federal, Polícia Federal, ministérios públicos, secretaria da Fazenda. É colocar o problema na mão do governador, não deixar só na Secretaria de Segurança — explicou. Críticas a Tarcísio Em entrevistas e discursos, Haddad tem combinado críticas mais ácidas a Tarcísio e promessas de campanha. Uma delas é a retomada do modelo de câmeras corporais de gravação contínua para a Polícia Militar. O modelo atual deve ser ligado por agentes ou de forma remota, em circunstâncias como o atendimento de uma ocorrência. Quando as bodycams foram adotadas, ainda no governo de João Doria, as imagens eram ininterruptas, desde o momento em que o policial vestia o uniforme. — Temos que voltar com as câmeras nas fardas em tempo contínuo. Porque isso aí protege o policial também. Você vai voltar a diminuir a letalidade e também diminuir a morte dos policiais — disse o pré-candidato durante uma agenda em Hortolândia, em junho. Em 2025, o estado registrou o maior número de mortes decorrentes de intervenção policial desde 2019, um total de 834 casos, segundo pesquisa divulgada pela Rede de Observatórios da Segurança. Em relação a 2024, houve um aumento de 2,7%, ainda que no período tenha havido redução em indicadores criminais como roubos, furtos e homicídios. O governo alega que ampliou o enfrentamento ao crime no período, o que explicaria os indicadores. Ao longo do mandato, pressionado por flagrantes de abusos de autoridade por agentes e pela judicialização do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Tarcísio mudou de opinião sobre a necessidade dos equipamentos. O governador passou a admitir que estava “completamente errado” sobre o assunto e prometeu ampliar os novos modelos com um sistema automático de acionamento que garantisse a preservação das imagens mesmo quando o policial preferisse o contrário. No caso do “SP Protege”, serviço de atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica prometido por Haddad, a intenção é atentar para os indicadores como feminicídios, que tiveram alta de 16% nos primeiros cinco meses do ano, numa tendência observada em todo o país. O cenário motivou o governo Tarcísio a anunciar um programa de patrulhamento específico da PM, comandada hoje pela coronel Glauce Cavalli, que se soma a outras medidas do mandato, como a instalação de delegacias especializadas e a divulgação de um aplicativo para monitoramento e emissão de BO. Ao divulgar essas ações, Haddad procura fazer um contraponto com a gestão atual, atribuindo a alta do feminicídio no estado aos cortes de verba na Secretaria das Mulheres. A pasta foi criada pelo governo Tarcísio, em 2023, mas foi alvo de reclamações frequentes da oposição pela falta de orçamento próprio enquanto era chefiada por parlamentares bolsonaristas. Em 2025, houve uma alta de 8,1% nesses casos em comparação com o ano anterior, um total de 266 ocorrências, o que levou o número ao maior patamar da série histórica. Quanto ao crime organizado, uma promessa de Haddad passa pela criação, no primeiro dia de governo, de um gabinete integrado das autoridades estaduais com órgãos como a Receita e a Polícia Federal. A ideia é convencer o eleitor de que as ações seriam mais efetivas com um aliado do presidente Lula (PT) no Palácio dos Bandeirantes. E, novamente, o discurso surge acompanhado de reprovação a Tarcísio e a seu grupo político. Ao rodar pela região de Campinas, há duas semanas, o pré-candidato saiu-se com a declaração de que milícias estão se infiltrando no interior de São Paulo, a partir de setores como o transporte de cargas e à revelia do estado. O governo estadual demonstrou irritação. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que o roubo de cargas caiu 34% entre janeiro e maio, para 1.061 ocorrências, “o menor volume já registrado no período”, e que executou “283 ações conjuntas” com a PF desde o começo do mandato. Tarcísio demonstra preocupação com o tema e, em mais de uma ocasião, afirmou publicamente que não tolera o controle territorial de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Numa operação recente em Paraisópolis, na capital paulista, agentes foram filmados removendo barricadas e estruturas instaladas pelo crime para bloquear o acesso nas ruas, e a gravação foi parar nas redes sociais do governador. Apesar de Tarcísio evitar responder diretamente a Haddad, seus aliados passaram a encampar a defesa do governo e a explorar as dificuldades do PT com a pauta. Nesta semana, o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública e pré-candidato ao Senado, gravou um vídeo dizendo que o petista “trabalha com a mentira” e que o governo Lula propôs uma abordagem fraca no PL Antifacção, relatado por ele na Câmara. — O PL Antifacção enviado pelo governo Lula era fraquíssimo — afirmou Derrite. — Ele mente quando fala que a gente enfraqueceu e deixou de ter eficácia para combater o topo da pirâmide. Haddad, quem tem que se explicar é você, que quando era prefeito criou o programa De Braços Abertos, o “bolsa crack”, com três refeições diárias e hospedagem para usuários de drogas e traficantes — disse. O termo pejorativo, tratado como “fake news” na esquerda, faz referência a uma política implementada por Haddad quando ainda era prefeito da capital, entre 2013 e 2016, que oferecia acomodação em hotéis, refeição e opção de trabalho de zeladoria, com pagamento de R$ 15 por dia, a dependentes químicos, sem que fosse exigido a interrupção do consumo de drogas. A ideia era convencer o usuário gradualmente a procurar tratamento. O mesmo ataque partiu do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), quando inaugurou uma praça, ao lado do governador Tarcísio de Freitas, no bairro de Santa Ifigênia, onde antes se concentrava o fluxo da chamada “Cracolândia”, com cenas abertas de uso de drogas. O emedebista é uma das apostas da campanha do governador para consolidar o voto do eleitorado na região metropolitana, onde avalia estar o seu principal desafio no pleito. — Não vamos deixar a esquerda voltar a governar São Paulo, essa turma tomar conta da cidade para fazer "bolsa crack". Vamos continuar fazendo o trabalho necessário, que é atendimento social e de saúde para as pessoas que, infelizmente, caíram no uso das drogas. E vamos continuar colocando o traficante atrás das grades — declarou. O GLOBO também procurou a campanha de Tarcísio para entender quais propostas devem ser apresentadas no plano de governo destas eleições. De acordo com a equipe, o grupo coordenado pela secretária de Meio Ambiente e Logística, Natália Resende, também se vale de especialistas e pretende abordar o tema nas próximas semanas. Um aliado do governador pondera, por outro lado, que a gestão será mais analisada pelos indicadores de criminalidade em quatro anos, vistos internamente como positivos, do que propriamente por novos projetos.