Em evento comemorativo dos 30 anos do FGC, presidente do BC afirma que autoridade monetária está sempre atenta sobre de onde podem surgir novos riscos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta quinta-feira de um evento em comemoração de 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele comentou que o regulador vem trabalhando com o sistema financeiro e o FGC em várias medidas para aprimorar regras e evitar incentivos errados. Falando sobre a crise financeira global de 2008, ele comentou que em muitos países surgiram instituições financeiras não bancárias, que de certa forma escapavam das regras do setor bancário, que existem justamente para evitar crises. No Brasil, houve um movimento inverso, de instituições não bancárias buscando licença de banco para ter acesso a captações mais baratas e liquidez, contando com as garantias do FGC. "Se você concebe um banco na sua origem com um 'mismatch', ou seja, com um descasamento entre o seu passivo e ativos, a chance de dar certo é próxima de nenhuma. Então se criou a possibilidade de que alguém possa captar no varejo, a partir das garantias do FGC, e constituir um ativo que não propriamente é de varejo, um hedge fund, distressed asset, e isso prova obrigatoriamente um descasamento. Isso é um comportamento que não é desejável, que deve ser coibido, inibido pelos reguladores", comentou. Assim, o BC se juntou ao FGC e associações como Febraban, ABBC, Zetta, entre outras, "para poder fazer essa reforma que não tem um ponto de chegada, ela vai ser contínua", explicou Galípolo. Ele listou algumas medidas importantes já adotadas, como dobrar a contribuição adicional para que tem mais de 60% do seu passivo garantido pelo FGC; exigir que quem tivesse mais de 80% “esterilizasse” isso, ou seja, que parte da captação fosse aplicada em títulos públicos; e a terceira analisa a qualidade e a liquidez dos ativos de referência, ou seja, só é possível oferecer como contraparte do que está sendo captado junto ao FGC ativos que sejam de varejo. Segundo Galípolo, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, deve divulgar na semana que vem um estudo retroativo, que mostraria o que teria acontecido se essas medidas já estivessem em vigor antes. “São estudos sobre como essas medidas, se a gente olhasse em perspectiva para o passado, teriam atuado na estrutura do mercado e afetado diferentes instituições." Em nenhum momento ele citou o banco Master, que foi o estopim para muitos desses ajustes. Galípolo afirmou que o BC está sempre atento sobre de onde podem surgir novos riscos e lembrou que bancos são instituições falíveis, mesmo quando fazem um bom casamento entre ativos e passivos. "Nenhum fundo garantidor tem condições de garantir o sistema financeiro como um todo. [...] O FCG foi concebido para evitar a crise, para inibir, não para atuar para socorrer eventualmente depois", disse. "Temos um sistema financeiro extremamente sólido e seguro e isso é também graças ao FGC", comentou em outro momento. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central — Foto: Ton Molina/Bloomberg
Processo de melhoria do sistema financeiro não tem ponto de chegada, diz Galípolo
Em evento comemorativo dos 30 anos do FGC, presidente do BC afirma que autoridade monetária está sempre atenta sobre de onde podem surgir novos riscos







