Em julho, na fase mais aguda da crise de combustíveis, os preços dos fretes subiram, em média, entre 12% e 15% em relação ao mês anterior, enquanto em algumas rotas e regiões os aumentos chegaram a 50% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caminhões trafegam pela rodovia R504 Kolyma, na República de Sakha (Yakutia), Rússia, em 18 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Vadim Skryabin/Foto de arquivo Ao caminhar por uma fila de caminhões estacionados na cidade de Ramenskoye, nos arredores de Moscou, Valeria Savenkova, diretora comercial da operadora de logística Logistic Performance, disse que a alta dos custos dos combustíveis obrigou a empresa a reduzir sua área de atuação. No início deste ano, a empresa fazia transporte de cargas de longa distância por toda a Rússia, o maior país do mundo em extensão territorial. Mas Savenkova afirmou que os preços dos combustíveis subiram entre 16% e 18% no último mês — resultado dos ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo russas —, elevando os custos de transporte da empresa entre 4,5% e 5,5%. “Conseguimos reorganizar nossas operações logísticas muito rapidamente e abandonamos as rotas de longa distância”, disse Savenkova à Reuters, acrescentando que ainda havia restrições ao abastecimento de combustível em partes da Sibéria, onde os preços estavam consideravelmente mais altos. “Não estamos mais fazendo entregas entre as regiões da Rússia. Estamos nos concentrando em rotas mais curtas dentro da região de Moscou e no transporte de cargas para os portos mais próximos.” Apesar da extensa malha ferroviária da Rússia, mais de 70% de todas as cargas no primeiro semestre de 2026 foram transportadas por rodovias, segundo a agência estatal de estatísticas Rosstat. O aumento dos custos do transporte rodoviário está ampliando as pressões inflacionárias e, mesmo que a situação se estabilize, fontes do setor afirmam que ninguém espera que os preços retornem aos níveis anteriores. Muitos dos problemas de escassez de combustível, que se espalharam neste verão do país pelos 11 fusos horários da Rússia depois que a Ucrânia intensificou seus ataques, diminuíram, segundo as autoridades. A Rússia importou combustível para compensar a falta do produto e flexibilizou as normas de qualidade dos combustíveis. Algumas regiões, no entanto, especialmente na Sibéria e perto da China, continuam enfrentando dificuldades, e os ataques ucranianos não deram trégua. Em julho, na fase mais aguda da crise de combustíveis, os preços dos fretes subiram, em média, entre 12% e 15% em relação ao mês anterior, enquanto em algumas rotas e regiões os aumentos chegaram a 50%, disse à Reuters Vitaly Kiselev, chefe do comitê de transporte comercial da Associação Russa de Concessionárias de Automóveis. Segundo ele, o combustível representa cerca de 30% dos custos do transporte de cargas. Kiselev afirmou que os descontos nos combustíveis anteriormente concedidos às transportadoras, que variavam entre 7% e 12%, desapareceram. A alta do preço do diesel coincidiu com o aumento dos pedágios nas rodovias federais, a escassez de motoristas e um avanço sazonal da demanda pelo transporte de produtos perecíveis, afirmou Kiselev. Caminhões e veículos de carga em uma área de estacionamento próxima a um terminal de cargas em São Petersburgo, Rússia, em 18 de abril de 2022 — Foto: REUTERS/Staff/Foto de arquivo Embarques da China ficam mais caros As rotas provenientes da China, que se tornou o parceiro comercial mais importante da Rússia nos últimos anos, estão sob pressão. As transportadoras enfrentam problemas no abastecimento de combustível no território de Zabaikalsky, por onde passa uma parcela significativa das cargas provenientes da China, segundo Georgy Vlastopulo, fundador da empresa de logística Optimalog. “Os preços subiram cerca de 20% a 25% se compararmos maio e o início de junho com meados de julho, quando o impacto da crise de combustíveis foi mais grave. Agora, os preços recuaram um pouco, mas não muito”, afirmou em seu escritório em Moscou. O custo de um carregamento da China para Moscou aumentou quase um terço, para cerca de 1,1 milhão a 1,2 milhão de rublos, ou US$ 14 mil. Antes da crise, a mesma rota custava entre US$ 10 mil e US$ 11 mil. “E não estamos vendo os preços recuarem de forma significativa, porque os problemas persistem no território de Zabaikalsky. Os caminhões ainda precisam ficar na fila por combustível durante dois ou três dias.” Segundo Vlastopulo, os clientes estão buscando cada vez mais alternativas ao transporte rodoviário. A demanda por embarques ferroviários diretos aumentou cerca de 18% a 20%, enquanto a procura pelo transporte marítimo cresceu entre 10% e 12%, afirmou. Agentes do mercado temem que a alta dos preços possa se transformar em uma tendência de longo prazo. “Não haverá redução nos preços dos fretes — podemos afirmar isso com certeza”, disse Kiselev. “Acreditamos que, mesmo que a situação se normalize e o abastecimento de combustível na região volte a ser suficiente, os preços provavelmente cairão no máximo entre 7% e 10%. Isso porque as transportadoras vão querer recuperar pelo menos parte das perdas que tiveram em razão da menor ocupação dos veículos e da redução da utilização das frotas”, afirmou Vlastopulo.
Ataques da Ucrânia elevam custos do transporte rodoviário na Rússia e pressionam inflação
Em julho, na fase mais aguda da crise de combustíveis, os preços dos fretes subiram, em média, entre 12% e 15% em relação ao mês anterior, enquanto em algumas rotas e regiões os aumentos chegaram a 50%






