“No curtíssimo prazo, nos próximos dois a três anos, o foco é desalavancar o negócio. Não há nenhum M&A no pipeline neste momento”, afirma Beto Abreu, presidente da cia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 No 2º tri, a Suzano teve lucro líquido de R$ 1,8 bi, queda anual de 64%, afetado por efeitos cambiais contábeis — Foto: Divulgação A Suzano encerrou o ciclo recente de expansão por aquisições e, após a compra de 51% dos ativos internacionais de papéis para uso sanitário da Kimberly-Clark, que passaram a operar sob a marca Arbex em 1º de julho, concentra os esforços na integração dos ativos e na redução do endividamento. Em teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, nesta quinta-feira (13), o presidente, Beto Abreu, afirmou que não há novas aquisições no radar no curto prazo. Confira os resultados e indicadores da Suzano e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 “No curtíssimo prazo, nos próximos dois a três anos, o foco é desalavancar o negócio. Não há nenhum M&A no pipeline neste momento”, disse Abreu. A alavancagem encerrou o trimestre em 3,4 vezes, em dólar, no limite superior da política financeira da companhia para períodos de expansão. A meta é levar o indicador a 2,5 vezes. Segundo o vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores, Marcos Assumpção, a companhia também não pretende fazer novas aquisições nos próximos meses. A estratégia inclui geração de caixa, ganhos de eficiência e venda de ativos considerados não estratégicos. Segundo Assumpção, a Suzano já iniciou um processo de desinvestimento de terras que possuem “maior e melhor uso” para outras finalidades que não o plantio de eucalipto. Na Arbex, a companhia busca capturar as sinergias previstas na aquisição. Segundo Abreu, a equipe de gestão da unidade já está 100% alocada e o conselho de administração, formado por três representantes da Suzano e dois da Kimberly-Clark, já realizou a primeira reunião. “Estamos focados em capturar os ganhos de valor e sinergias que desenhamos no anúncio do negócio”, disse. A desalavancagem ocorre em um momento de geração de caixa. No segundo trimestre, a Suzano teve lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, queda de 64% na comparação anual, afetado por efeitos cambiais contábeis. O Ebitda ajustado ficou em R$ 4,7 bilhões e a geração de caixa operacional alcançou R$ 2,9 bilhões. Na frente comercial, a companhia voltou a explicar a redução de 11% no volume vendido para a Ásia como uma decisão de gestão de estoques e produção, em meio à concentração de paradas de manutenção nas fábricas. Segundo Leonardo Grimaldi, vice-presidente comercial, a demanda na região continua sólida. “Ajustamos o volume lá porque é a região onde não temos contratos fixos como nas Américas e Europa”, afirmou. Grimaldi também avaliou que os preços atuais da celulose são insuficientes para parte da indústria chinesa. Segundo o executivo, o custo de produção na China está entre US$ 535 e US$ 550 por tonelada, o que torna os preços atuais “insustentáveis” para cerca de 30% da produção global. “Não é sustentável ver uma indústria operando com tanta capacidade ‘debaixo d’água’. Já estamos vendo um aumento de 45% em paradas não programadas e fechamentos de fábricas em relação ao ano passado”, disse Grimaldi. Para o executivo, o movimento de fechamento de plantas de maior custo deve contribuir para o reequilíbrio dos estoques nos portos chineses e para a recuperação das margens. A Suzano também destacou a estratégia de proteção contra a alta do petróleo. A proteção financeira contra a variação do preço do petróleo Brent gerou ganho de cerca de R$ 150 milhões no caixa, compensando parte do aumento dos custos de frete marítimo e de insumos químicos. Na estrutura de dívida, Assumpção afirmou que a companhia continuará avaliando oportunidades de captação em mercados com custo mais baixo. A Suzano tem cerca de R$ 2 bilhões em títulos emitidos no mercado chinês. “Sempre que houver oportunidade de dívida barata em outros mercados, vamos buscar”, afirmou.