Custo de vida alto e o inverno rigoroso são pontos que pesam na decisão de quem pensa em se mudar. Além do Canadá, guia do GLOBO traz informações sobre 36 países 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 4min Considerado um dos países mais seguros do mundo, o Canadá ocupa a 14ª posição no Global Peace Index 2026 e é o mais pacífico da América do Norte — Foto: Arte / O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O país se destaca pela segurança, ocupando a 14ª posição global no Peace Index. O sistema de saúde pública é gratuito para residentes legais. Apesar dos bons salários, a crise imobiliária eleva o aluguel médio para cerca de R$ 7.900. O inverno rigoroso atinge temperaturas de até -40°C. O programa Express Entry pontua candidatos por qualificação profissional e idioma. Estudantes de pós-graduação têm regras facilitadas para obter o visto de trabalho. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Terceiro país com mais brasileiros na América do Norte e nono destino no mundo, o Canadá atrai pela combinação de segurança, sistema de saúde público e um dos programas de imigração mais estruturados para trabalhadores qualificados. Mas o custo de vida alto e o inverno rigoroso são pontos que pesam na decisão de quem pensa em se mudar. Considerado um dos países mais seguros do mundo, o Canadá ocupa a 14ª posição no Global Peace Index 2026 e é o mais pacífico da América do Norte, à frente de Estados Unidos e México. Sua qualidade de vida também está entre as mais altas do planeta, com IDH de 0,935. O sistema de saúde, o Medicare, é público, universal e gratuito para residentes legais, embora descentralizado, administrado por cada uma das 13 províncias e territórios. Custo de vida alto Não existe um salário mínimo único para no país. Com base na média nacional, que é de CAD$ 16,50 por hora, o salário mensal bruto fica em torno de CAD$ 2.640 (cerca de R$ 10.100). O valor, porém, varia conforme a região. Já o salário médio gira em torno de US$ 4.800 mensais, com mínimo médio de US$ 2.000, de acordo com dados ajustados da Paridade de Poder de Compra (PPC). Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Bandeira do Canadá no lado externo do gabinete do primeiro ministro, em Ottawa — Foto: Bloomberg Mas boa parte dessa renda é consumida pela moradia. Com um custo de vida considerado alto, o Canadá tem uma média nacional de aluguel de cerca de R$ 7.900, valor que também varia por cidade e tipo de imóvel. A crise imobiliária, que pressiona os aluguéis nos últimos anos, é justamente um dos principais pontos de atenção para o imigrante, ao lado do inverno, que pode chegar a -40 °C em algumas províncias. Para uma pessoa solteira, o gasto médio mensal com alimentação situa-se entre CAD$ 300 e CAD$ 450 (entre R$ 1.100 e R$ 1.700), dependendo dos hábitos de consumo e da região. Itens básicos no supermercado apresentam preços médios de CAD$ 18 (R$ 66) para o quilo da carne, CAD$ 4,11 (R$ 15) pela dúzia de ovos e CAD$ 2,70 (R$ 10) pelo litro de leite. Emigração por sistema de pontos O principal caminho para a residência permanente é o Express Entry, sistema de pontuação que avalia idade, escolaridade, experiência profissional e proficiência em inglês ou francês. Os candidatos mais bem pontuados são convidados a solicitar a residência em rodadas periódicas. Uma via complementar é o Provincial Nominee Program (PNP), em que as províncias "nomeiam" candidatos que atendam às suas necessidades de mão de obra, o que garante 600 pontos extras e, praticamente, a residência permanente. Quem tem oferta de emprego pode entrar pelo Work Permit, muitas vezes usado como ponte para a residência. E o Study Permit exige aceitação em uma instituição designada e comprovação financeira de cerca de CAD 22.895 anuais para custo de vida, além de permitir trabalho em tempo parcial durante o curso. Em quase todas as categorias, o domínio de inglês ou francês é obrigatório, comprovado por testes. Os estudantes de mestrado e doutorado matriculados em instituições públicas credenciadas (DLIs) ficam de fora do teto do Visto de Estudo imposto pelo Canadá e estão isentos da necessidade de apresentar a carta de atestação provincial (PAL/TAL). Além disso, esses pós-graduandos têm o direito de solicitar o visto de trabalho pós-formação (PGWP) com validade de 3 anos, mesmo para cursos mais curtos que tenham a duração mínima de 8 meses. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaborou a estagiária Letícia Guimarães.