Tarciana Medeiros pontua que aumento dos calotes é pressionado, especialmente, pelo agronegócio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ao abrir a teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026 do Banco do Brasil (BB), a CEO Tarciana Medeiros afirmou que a instituição tem sido transparente sobre os desafios enfrentados. Ela se referia ao agronegócio, que mostrou um salto na inadimplência no último ano, diante do aumento de recuperações judiciais no setor, e pressionou os últimos resultados do banco. “Nós temos sido bastante francos sobre o tamanho do desafio que estamos atravessando e mais ainda sobre a nossa tempestividade nesse diagnóstico e nas respostas, com mudanças relevantes para a construção de um futuro de crescimento da rentabilidade”, afirmou a executiva. “Eu falei muito sobre ‘prumo’, que é uma palavra que usamos bastante lá de onde eu vim e que tem ainda mais significado neste momento, porque desafios não são vencidos com atalhos, mas com ‘prumo’ e com muito trabalho. E ‘prumo’ para essa gestão é a execução estratégica consistente e reforço dos vetores de geração de valor.” Tarciana nasceu na cidade de Campina Grande (PB). Medeiros pontuou que a inadimplência continuou alta no segundo trimestre, pressionada, especialmente, pelo agronegócio. O setor também contamina a inadimplência da carteira de pessoas físicas, que saltou para 8,41% em junho deste ano no BB, ante 6,82% em março e 5,59% em junho de 2025. Como parte da estratégia do banco, a executiva destacou que 70% dos desembolsos feitos pelo Plano Safra de 2025/2026 já contam com alienação fiduciária. “Além disso, reestruturamos a cobrança há alguns meses e já estamos colhendo frutos importantes”, acrescentou. Melhora relevante esperada O vice-presidente de Riscos do BB, Felipe Prince, afirmou, na teleconferência, que a instituição espera uma “melhora relevante” nas despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) com a Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que permite a criação de linhas de crédito para ajudar produtores rurais a pagar ou renegociar dívidas. Segundo ele, essa melhora também vai impactar as despesas com PDD da carteira de pessoas físicas. “Agora a gente tem à disposição dos nossos clientes um instrumento para promover essa renegociação. Nós trabalharemos muito fortemente na melhoria das condições do cliente como um todo”, disse. “Essa análise completa também vai carrear uma melhora da PDD no segmento de pessoas físicas.” A carteira potencial do BB para enquadramento na MP é de até R$ 100 bilhões ou até 113 mil clientes, entre inadimplentes e aqueles com operações adimplentes prorrogadas ou renegociadas, informou Medeiros. Os principais beneficiados devem ser da região Centro-Oeste e das culturas de soja, milho e pecuária. “É importante deixar claro que as contratações dependem da apresentação dos laudos e seguirão a nossa política de crédito. Vamos começar pelas operações inadimplentes e na sequência vamos avançar para as demais. Nossos times estão engajados e em uma grande campanha para que as contratações se iniciem tão logo seja publicada a portaria”, afirmou. Com isso, segundo a executiva, a expectativa é retomar a pontualização da carteira de crédito (porcentagem de clientes que estão com os pagamentos em dia) para “a casa dos 90%”. “Apoiando inclusive a convergência do custo de crédito para intervalo do ‘guidance’”, acrescentou. As projeções (“guidance”) do BB para este ano de custo de crédito é entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. No primeiro semestre, atingiu R$ 37,3 bilhões. Sobre o programa de renegociação de dívidas Desenrola, Medeiros informou que o BB já superou R$ 12 milhões em renegociações, com 440 mil pessoas físicas e 40 mil empresas atendidas. “Mais do que renegociar dívidas, estamos ajudando as pessoas a se reorganizarem com educação financeira e conscientização.” A presidente do BB também destacou o legado da instituição, que “não atravessa 217 anos por acaso”. “É por isso que o Banco do Brasil de hoje é mais resiliente, mais disciplinado, mais ‘figital’ [união de físico e digital] e mais preparado para as oportunidades que virão: porque ciclos passam, os fundamentos permanecem. E é com esse ‘prumo’ que seguimos.” A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil