Em entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube, Ediane Maria (PSOL), autora do projeto que criou o Protocolo Antirracista em São Paulo, conta por que colocou a própria equipe na rua para cadastrar estabelecimentos comerciais como “Territórios Antirracistas”. A mobilização começou depois que o governador Tarcísio de Freitas vetou pontos da proposta aprovada pela Assembleia Legislativa, entre eles a previsão de treinamento dos funcionários.

A Lei 18.427/2026 estabelece medidas de prevenção, conscientização e acolhimento a vítimas de violência racial em locais com grande circulação de pessoas, como shoppings, estádios, casas de shows, bares e restaurantes. Segundo Ediane, mais de 100 estabelecimentos devem receber o selo ainda este ano. Diante da “inércia estatal”, o trabalho será feito a “passos de formiguinha”.

Primeira trabalhadora doméstica eleita deputada estadual em São Paulo, Ediane também relembra o estranhamento que provocou ao chegar à Alesp, inclusive entre funcionários da Casa: “As pessoas reparavam muito no meu cabelo, outros questionavam: ‘aquela é a deputada?’”. Para ela, a reação é reveladora de uma Assembleia ainda distante da população que deveria representar.

Para a parlamentar, a Alesp frequentemente opera como um “balcão de negócios” voltado aos interesses do agronegócio e da elite paulista. Candidata à reeleição, ela defende uma mudança no perfil de quem ocupa o Legislativo: “Esse legislativo só vai mudar quando for ocupado por gente do povo, pelos pedreiros, as babás, os motoboys”.