Sistema pode ganhar força, ser batizado de Lala e provocar chuvas intensas, ventos fortes, ondas de até 4,6 metros e risco de incêndios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Foto aérea mostra estragos causados por incêndios florestais no Havaí, em agosto de 2023 — Foto: Patrick T. Fallon / AFP O Havaí deve se preparar para a possibilidade de ser atingido por um ciclone tropical durante o fim de semana. Meteorologistas avaliam que o sistema pode se fortalecer e receber o nome de tempestade tropical Lala. Mesmo antes de uma eventual classificação oficial, o fenômeno já é considerado capaz de provocar riscos significativos nas ilhas. No início da manhã de quarta-feira, o sistema ainda era descrito como um aglomerado irregular de nuvens e não apresentava uma estrutura organizada de ciclone tropical. Apesar disso, o Centro Nacional de Furacões começou a divulgar trajetórias previstas antes mesmo de o sistema se transformar em tempestade, uma medida considerada incomum. A decisão indica que os meteorologistas estão cada vez mais confiantes de que o sistema poderá se organizar e avançar em direção à terra. O Serviço Nacional de Meteorologia em Honolulu também recomendou que moradores e visitantes comecem a se preparar. Sistema pode avançar pelo arquipélago durante o fim de semana Se as previsões atuais forem confirmadas, a deterioração das condições deve começar pela Ilha Grande na sexta-feira. No sábado, os efeitos devem avançar para oeste, alcançando Maui. No domingo, o sistema deve chegar à região de Lanai, Molokai, Oahu e Kauai. A previsão, porém, ainda está sujeita a mudanças porque o sistema está no início de sua formação. Os modelos computacionais usados para determinar a trajetória dependem bastante da localização exata do centro da tempestade, cuja identificação é mais difícil quando o sistema ainda não está estruturado como um ciclone tropical. Quando a tempestade se organiza, essa identificação se torna mais fácil e as previsões podem ganhar precisão. Uma diferença de apenas algumas dezenas de quilômetros na trajetória pode mudar de maneira significativa os efeitos enfrentados por cada ilha. Atualmente, são considerados dois cenários. Em uma trajetória de impacto direto ou ao sul, o pior da tempestade atingiria diretamente a Ilha Grande ou passaria imediatamente ao sul do arquipélago. Nesse caso, as ilhas receberiam os ventos mais fortes e as chuvas mais intensas. Em uma trajetória ao norte, a parte mais fraca do sistema passaria pelo arquipélago, o que provavelmente reduziria o impacto geral. Lala pode entrar para histórico de furacões próximos ao Havaí Se Lala se fortalecer até atingir a intensidade de furacão, será incluída em um grupo muito pequeno de sistemas que chegaram perto do Havaí. Para ser classificado como furacão, o sistema precisa apresentar ventos sustentados de pelo menos 74 mph, equivalentes a 119 km/h. Desde 1950, apenas 19 furacões passaram a menos de 100 milhas, ou 161 km, do Havaí. Desses, oito ocorreram durante anos de El Niño. Apenas dois furacões atingiram oficialmente o Havaí nesse período: Dot, em 1959, e Iniki, em 1992. Caso Lala alcance o arquipélago com intensidade de furacão, o evento seria excepcional dentro do histórico apresentado. Chuvas intensas e ventos podem elevar risco de inundações e incêndios Mesmo que Lala não chegue diretamente às ilhas e permaneça em alto-mar, sua área de influência pode provocar diferentes tipos de riscos no arquipélago. A tempestade pode produzir entre 5 e 10 polegadas de chuva, o equivalente a 127 a 254 milímetros, em grande parte do estado. Alguns pontos isolados podem registrar até 20 polegadas, ou 508 milímetros. O risco é maior em áreas que já estão saturadas por inundações provocadas por uma baixa de Kona ocorrida neste ano. Nessas regiões, o volume adicional de chuva aumenta de forma significativa a possibilidade de inundações repentinas e deslizamentos de terra. Na quarta-feira, os ventos ainda estavam abaixo da intensidade necessária para caracterizar uma tempestade tropical. As condições, porém, favorecem o fortalecimento do sistema conforme ele se aproxima das ilhas. O relevo do Havaí também poderá influenciar a intensidade dos ventos na fase final da passagem da tempestade. Sistemas tropicais que passam pela região podem fazer com que os ventos alísios sejam comprimidos e acelerados sobre as cristas das montanhas. Antes da chegada das chuvas, ventos alísios fortes podem aumentar o risco de incêndios. Esses ventos sopram de leste para oeste nas proximidades do Equador. Ao interagir com áreas mais secas da paisagem, eles podem criar condições meteorológicas próximas do nível considerado crítico para incêndios entre sexta-feira e o fim de semana. As condições são descritas como semelhantes às que contribuíram para o devastador incêndio florestal de Lahaina, em 2023. Ondas podem superar 4,6 metros Uma grande ondulação proveniente do leste deve aumentar à medida que a tempestade avançar. Isso pode provocar ondas de 15 pés ou mais, equivalentes a aproximadamente 4,6 metros. As ondas são consideradas de nível de alerta para as costas voltadas para o leste do arquipélago. Desde 2017, o Centro de Furacões passou a emitir previsões para Ciclones Tropicais Potenciais. Desde então, houve alguns casos, considerados raros, em que um sistema classificado dessa forma acabou não se formando. Por isso, embora as previsões atuais indiquem uma possibilidade crescente de organização do sistema, ainda existe incerteza. Na quarta-feira, ele não havia se transformado em uma tempestade tropical estruturada.