A medicina ainda conhece menos o corpo feminino do que deveria, segundo a ginecologista e pesquisadora Stephani Caser. Para ela, a sub-representação histórica das mulheres em pesquisas clínicas criou lacunas no diagnóstico e no tratamento que persistem até hoje, apesar de alguns avanços.

Mestranda em ginecologia na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e cofundadora da See Me, empresa brasileira voltada à saúde íntima feminina, Caser afirma que a própria trajetória da pesquisa científica ajuda a explicar por que problemas que afetam mulheres ainda são menos compreendidos.

Durante décadas, homens foram usados como referência em pesquisas porque o ciclo menstrual, as oscilações hormonais e a possibilidade de gravidez eram vistos como fatores capazes de aumentar a variabilidade dos resultados e os custos dos estudos.

Para Caser, porém, essas diferenças deveriam ser justamente objeto de investigação. O corpo feminino não é apenas um corpo masculino com diferenças anatômicas: sintomas podem se manifestar de forma distinta, assim como a resposta a medicamentos e tratamentos.

Um exemplo é o infarto. Em mulheres, o quadro pode e apresentar sintomas diferentes da dor no peito mais conhecida, o que pode dificultar o reconhecimento.