Segunda-feira pode ter sido um dia muito importante para o futebol brasileiro. E que, ao mesmo tempo, diz muito sobre nós. A CBF e os clubes aprovaram o pacote anticera, que colocará em prática as medidas utilizadas na Copa do Mundo para ganhar mais tempo de bola em jogo. Isso é excelente e inegociável para que uma partida de futebol seja um evento de entretenimento, não de sacrifício para quem assiste.

Por outro lado, a descrença de que jogadores levarão as novas determinações a sério ou de que os árbitros conseguirão impor autoridade para aplicá-las diz muito sobre nós –do país em que leis "pegam" mais ou menos, dependendo do humor da sociedade e dos órgãos fiscalizadores.

As medidas são a redução de tempo em substituições, arremessos laterais e cobranças de tiro de meta e a impossibilidade de retornar ao campo por um minuto depois de um atendimento médico. No caso de o goleiro ser atendido, algum jogador de linha deverá ficar fora para compensar o tempo perdido.

Com o tempo, precisamos reeducar a todos para que isso possa ser um esporte, não uma guerra. Morei mais de uma década na Espanha, convivi com a cultura futebolística de espanhóis e catalães e cobri a Liga dos Campeões a cada semana neste tempo.