Às 2h, holofotes iluminam as máquinas que percorrem a fazenda da família de Eleanor Gilbert, em Berkshire, na Inglaterra. Aos 24 anos, ela faz a colheita no escuro para aproveitar o leve orvalho que se deposita sobre a colza— planta da família do repolho e da mostarda— durante a noite é a única forma de elevar o teor de umidade o suficiente para que os compradores a aceitem.

Por volta das 10h, ela passa a colher trigo e continua ao longo do dia. Depois de duas ou três horas de sono, a agricultora da sexta geração volta ao campo e recomeça.

"É quase como estar com jet lag", disse Gilbert. "Você não consegue dormir no meio do dia — simplesmente não é normal."As ondas de calor estão obrigando agricultores de toda a Europa a mudar como e quando trabalham, seja fazendo a colheita à noite, cobrindo plantações com telas de sombreamento, resfriando galpões de gado ou abandonando calendários de plantio aperfeiçoados ao longo de décadas.

Os danos já aparecem nas previsões para as safras. O Ministério da Agricultura da França informou na sexta-feira que a produção de milho em grão deve cair 35% em relação ao ano passado, para 9 milhões de toneladas, o menor nível desde pelo menos 1980, devido ao impacto do calor e das secas durante o período de cultivo.