Segundo o CFM, os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) pedem às instituições de ensino a relação dos formandos e apenas estes nomes são usados para autorizar registros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 PF faz buscas em operação contra venda de diplomas falsos para acesso a cursos de Medicina — Foto: Divulgação/PF MG Após a Polícia Federal (PF) deflagrar nesta quarta-feira uma operação contra um esquema de venda de diplomas falsos de Medicina, o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou em nota que a checagem dos documentos usados nos registros da entidade "é criteriosamente normatizada e uniforme em todo o Brasil". Três pessoas foram presas. Segundo o CFM, os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) pedem às instituições de ensino a relação dos formandos e apenas estes nomes são usados para autorizar registros. "Caso o nome do futuro médico não conste na documentação da instituição de ensino, o CRM oficia a instituição formadora para que seja feita a confirmação de forma individualizada", diz a nota. Os nomes dos alvos não foram divulgados. De acordo com a PF, foram identificadas pessoas suspeitas de adquirir os documentos falsos e a circulação de valores entre os investigados. O esquema teria ramificações em diferentes estados do país e pelo menos "45 nomes de pessoas já inscritas como médicos no Conselho Regional de Medicina teriam pago ao grupo supostamente para obtenção de documentos falsos para viabilizar esse registro". Na nota, o CFM diz ainda que a operação de hoje é "absolutamente necessária para garantir que não haja fraudes seja com a emissão de diplomas falsos por instituições de ensino ou de outros documentos acadêmicos usados para facilitar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina". As investigações que embasaram a Operação Canudo começaram com a apreensão, em 2023, de um diploma falso apresentado ao Conselho Regional de Medicina no estado do Rio Grande do Sul. O documento teria sido fornecido por um dos investigados. Segundo a PF, a apuração indicou a existência de um "esquema estruturado para a falsificação e comercialização de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos, utilizados para viabilizar o ingresso ou a transferência para cursos de Medicina e, posteriormente, a obtenção de registro profissional junto aos Conselhos Regionais de Medicina". O esquema Os investigadores apontam que as fraudes incluíam a falsificação de diploma para ser apresentado no CRM, mas também a falsificação de documentos de ensino superior para o estudante ingressar em cursos de Medicina já em andamento e em fase final de conclusão do curso. No segundo caso, com documentos falsos, o estudante conseguia acessar o curso como se tivesse se transferindo de uma faculdade para outra, nos períodos finais da formação. O principal suspeito já havia sido alvo de uma investigação da PF em 2016, quando foi descoberta uma organização criminosa acusada de fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A PF detalhou que, na época, a apuração revelou o recrutamento de professores e estudantes para realizar as provas e transmitir, por meio de dispositivos eletrônicos, os gabaritos a candidatos "que pagavam valores elevados para obter vantagem no certame". Integrantes da organização foram presos. As investigações continuam para a identificação de pessoas que eventualmente tenham contratado ou utilizado os serviços oferecidos pelo grupo criminoso.