O ex-premiê chinês Zhu Rongji, que comandou o governo do país entre 1998 e 2003 e foi um dos principais responsáveis pelas reformas econômicas que ajudaram a transformar a China em uma potência global, morreu nesta quarta-feira (12), aos 97 anos.
Zhu não era de medir as palavras. Quando a seleção em quatro volumes de seus discursos foi publicada, em 2011, os textos chamaram atenção pela franqueza, com críticas a diques contra enchentes feitos de "restos de tofu" e construídos por "parasitas", além de banqueiros que cometiam erros, a quem chamou de "meio idiotas". A coletânea se tornou best-seller em um país cujos líderes eram vistos como cautelosos e reticentes, propensos a declarações públicas insossas.
A repercussão também refletia as ansiedades da China às vésperas da chegada de Xi Jinping ao poder. Ex-funcionários reformistas e intelectuais viram nas 2.042 páginas, muitas delas inéditas, um contraponto ao conservadorismo dos líderes da época.
Entre os problemas apontados por Zhu estavam questões que continuavam a desafiar a economia chinesa, como a dívida dos governos locais, empréstimos bancários irresponsáveis, inflação, crescimento urbano acelerado e corrupção.
"Nosso país enfrenta muitas crises potenciais que podem eclodir a qualquer momento", disse Zhu no início de 1998. "As pessoas comuns estão insatisfeitas conosco de muitas maneiras. Especialmente, há corrupção entre os funcionários, o abismo entre ricos e pobres e a maneira como alguns funcionários locais agem como tiranos."











