Postura do presidente do Banco Central no tema nos últimos meses também tem causado incômodo na área econômica do governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O prédio do Ministério da Fazenda em Brasília — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil A postura do Fundo Monetário Internacional (FMI) de defender a ampliação da autonomia do Banco Central prevista na proposta de emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso Nacional irritou a equipe econômica, especialmente o Ministério da Fazenda. Em reunião prévia que subsidiaram a elaboração do relatório FSAP (programa de avaliação do setor financeiro) e a revisão do Artigo IV (uma avaliação mais geral do país), o tema foi levantado pelos representados do organismo internacional, que disseram ver a proposta em tramitação no Senado com bons olhos. O apontamento foi feito, segundo fontes, após questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal do país e os riscos de exceções ao arcabouço. No que os representantes da Fazenda não deixaram barato: — Para vocês verem como nossa vida no Ministério da Fazenda é difícil. Um minuto antes vocês defendiam redução de exceções e um minuto depois defendem mais uma exceção ao arcabouço de tirar o BC do limite de despesas. Aí a conta nunca vai fechar — disse uma das pessoas presentes, em tom irônico e gerando um constrangimento no encontro. O comentário foi complementado em tom mais sério, com um participante destacando o fato de que vários órgãos do governo pedem mais recursos e excepcionalização de regras por diferentes motivos, assim como o Banco Central. Apesar da contrariedade da Fazenda, o relatório FSAP foi publicado há poucas semanas com a recomendação para aprovação da autonomia do BC. Mesmo com uma postura de evitar amplificar os embates nos bastidores, há um incômodo de alguns interlocutores do governo também com a postura do comando do Banco Central, especialmente de seu presidente, Gabriel Galípolo. A leitura de que ele teria incentivado que o organismo colocasse isso em seus documentos e que estaria se mostrando intransigente no tema. A PEC 65 opôs Galípolo a toda a equipe econômica nos últimos meses. A leitura é que ele, para atender pressões corporativas, abraçou a tese da PEC e firmou posição contrária à do governo. O Executivo diz que até topa excepcionalizar parte das despesas do BC (liberando o orçamento monetário), mas sem mudar a natureza jurídica da autoridade, como prevê a PEC. O impasse ainda não foi superado e alguns acreditam que o tema só deve ter algum avanço após as eleições. Em meio ao fogo cruzado, outro personagem importante é o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira. Parte dos servidores do BC favorável à PEC está incomodada com a postura dele, que estaria tentando construir um acordo com o governo para pelo menos solucionar a falta de recursos da autoridade monetária. Na equipe econômica, porém, Teixeira está sendo visto nesse tema como um interlocutor mais razoável e interessado em uma solução de consenso para superar os problemas orçamentários do que Galípolo. De outro lado, o chefe do BC tem se queixado, inclusive publicamente, que o governo cada vez que a PEC se aproxima de uma aprovação, mudaria de posição. Acusação similar a que integrantes da área econômica fazem contra o próprio Galípolo.
Defesa do FMI sobre ampliação da autonomia do BC irrita Fazenda; saiba bastidores
Postura do presidente do Banco Central no tema nos últimos meses também tem causado incômodo na área econômica do governo






