0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Agência aeroespacial do Japão lançou com sucesso seu foguete H3 nesta semana — Foto: Guo Cheng/AP Com o Japão buscando colocar mais satélites em órbita após o lançamento bem-sucedido do foguete H3 na terça-feira, a Mitsubishi Electric — principal fornecedora nacional de satélites de grande porte — está se preparando para ampliar a produção para esta nova etapa do desenvolvimento espacial do país. A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) lançou o foguete H3 do Centro Espacial de Tanegashima na terça-feira, por volta das 4h (16h de segunda-feira em Brasília). O H3 transportava um satélite Michibiki Quasi-Zenith — parte de uma rede que serve como a resposta do Japão ao GPS — o qual foi colocado na órbita pretendida por volta das 4h53. A rede de satélites é operada pelo Gabinete do Governo do Japão, com a produção a cargo da Mitsubishi Electric. "O sétimo satélite partiu, carregando as esperanças de muitos de nossos colegas", disse Shinji Yagyu, responsável pelo projeto de satélites Quasi-Zenith da Mitsubishi Electric, em uma entrevista coletiva. "Embora eu esteja aliviado por termos finalmente chegado a este ponto, quero que mantenhamos a atenção e o rigor em nosso trabalho daqui para frente." A Mitsubishi Electric também produziu uma sonda para o projeto japonês de Exploração de Luas Marcianas (MMX), cujo lançamento está previsto para este outono. A empresa, em conjunto com a Mitsubishi Heavy Industries, é responsável pela espaçonave de reabastecimento HTV-X, programada para ir à Estação Espacial Internacional neste ano fiscal, coordenando os fabricantes envolvidos no projeto. Dos satélites com peso de uma tonelada métrica ou mais lançados pelo Japão desde 2000 — e cujos fabricantes foram divulgados —, a Mitsubishi Electric produziu cerca de 61% como contratante principal. A empresa foi responsável por todos os satélites lançados por meio de foguetes H3. A terça-feira marcou o primeiro lançamento bem-sucedido de um satélite de grande porte pelo Japão desde dezembro passado. Após esse sucesso, o país planeja aumentar a frequência para seis a oito lançamentos por ano, o que significa que a produção de satélites precisará acelerar para acompanhar esse ritmo. "Desenvolvemos um sistema que permite o lançamento de dois satélites de grande porte simultaneamente", disse Yasuyuki Obuchi, chefe da divisão da Mitsubishi Electric responsável pela produção dos satélites Michibiki. "Nosso objetivo é reduzir os custos gerais, incluindo os custos de lançamento." Obuchi afirmou que a empresa também estuda desenvolver dois satélites simultaneamente para aumentar a eficiência e reduzir ainda mais os custos. Tornar a produção menos dispendiosa ajudaria a Mitsubishi Electric a atender à demanda doméstica e internacional por satélites, inclusive a proveniente do setor privado. Em 2020, a empresa concluiu uma instalação de fabricação de satélites em sua unidade de Kamakura, ao sul de Tóquio, elevando sua capacidade de produção para 18 unidades por ano. A Airbus e a Boeing são grandes protagonistas no segmento de satélites de grande porte, enquanto empresas emergentes como a SpaceX expandem sua presença no mercado em franca expansão de constelações de pequenos satélites de telecomunicações. O setor passa por uma reestruturação, com a Airbus tendo anunciado planos de integrar sua divisão de satélites às operações da italiana Leonardo e da francesa Thales. A Mitsubishi Electric busca conquistar uma fatia desse mercado. O setor de defesa e espaço figura entre as três áreas prioritárias de seu plano de médio prazo, que se estende até o ano fiscal de 2030. A empresa projeta uma margem de lucro operacional ajustada de 12% para esse negócio, um aumento em relação aos 9,6% previstos para o ano fiscal de 2025. Embora esse segmento represente apenas uma pequena parcela das vendas totais da Mitsubishi Electric, ele constitui uma ferramenta poderosa para o recrutamento de engenheiros. A empresa planeja continuar fortalecendo o negócio, em parte para contribuir com a segurança do Japão.