O avanço alcançado pela empresa privada LandSpace é um importante marco para o programa espacial chinês, já que foguetes reutilizáveis podem reduzir custo de lançamento de satélites ao espaço 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O foguete Zhuque-3 Y2 decola da zona piloto de inovação espacial comercial de Dongfeng — Foto: Getty Images via Bloomberg Pela primeira vez, uma empresa aeroespacial chinesa conseguiu pousar a parte inferior de um foguete que havia chegado ao espaço, informou a imprensa estatal, um passo importante para alcançar empresas dos Estados Unidos, como a SpaceX, de Elon Musk, e a Blue Origin, de Jeff Bezos. Um foguete Zhuque-3 pousou com sucesso sobre seus suportes na província de Gansu, no noroeste do país, após ajudar a colocar um satélite em órbita na quarta-feira, de acordo com a agência oficial de notícias Nova China (Xinhua). O foguete decolou de Jiuquan, um dos principais centros de lançamento espacial da China. Um vídeo publicado on-line mostrou o foguete reduzindo o empuxo para pousar suavemente sobre suportes especiais, o que deverá permitir que ele seja reutilizado. O avanço marca um importante marco para o programa espacial da China e para a desenvolvedora da nave, a LandSpace Technology, já que foguetes reutilizáveis podem reduzir substancialmente o custo de lançamento de satélites ao espaço. A China conseguiu recuperar um foguete no mês passado, mas fez isso no mar. — A recuperação bem-sucedida do propulsor do Zhuque-3 pela LandSpace é um momento decisivo para o setor espacial comercial da China — disse Eric Zhu, analista da Bloomberg Intelligence. Ainda assim, o país também enfrentou alguns reveses, como a explosão de um foguete durante o lançamento no início deste mês. O Zhuque-3 é desenvolvido pela LandSpace, uma empresa comercial de lançamentos que solicitou, no ano passado, autorização para abrir seu capital em Xangai, enquanto corre para alcançar a SpaceX e a Blue Origin, empresa apoiada por Jeff Bezos. Entre as conquistas anteriores da LandSpace está ter superado a SpaceX no lançamento do primeiro foguete movido a metano. A SpaceX recupera e reutiliza os propulsores de seus foguetes Falcon 9 desde 2017, o que ajudou a empresa a conquistar quase um monopólio nos lançamentos de foguetes de carga pesada e a sustentar a expansão de sua constelação de milhares de satélites Starlink. Isso impulsionou uma corrida na China, que está nos estágios iniciais da construção de uma rede semelhante de satélites de internet. Esse esforço tem dependido de foguetes de uso único para colocar os satélites em órbita. A LandSpace é uma das principais startups que surgiram na década desde que o governo chinês abriu o setor ao capital privado. Em 2023, a empresa se tornou a primeira do mundo a lançar um foguete movido a metano, um combustível que tem potencial para ser mais limpo e seguro do que outras alternativas. Zhu afirmou que a LandSpace “agora enfrenta o desafio de engenharia ainda maior de demonstrar que consegue reformar e reutilizar rapidamente e a um custo competitivo esse equipamento — um processo que levou vários anos para a SpaceX dominar”. A China não é a única a tentar alcançar a SpaceX. Empresas indianas também estão trabalhando no desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, com a startup AgniKul Cosmos preparando uma missão para o início de 2027, com o objetivo de recuperar o primeiro estágio de um foguete depois que ele colocar sua carga em órbita.