Um urubu tocou o sino de uma igreja na Colômbia, depois do terremoto que assombrou este começo de agosto. O que impressiona é o toque ritmado, pausado, como se fosse o coroinha mais meticuloso da paróquia.

Na legenda da notícia há um alerta sobre a imprecisão da imagem, da data exata, do local. Talvez não tenha sido bem assim, disseram. Mas vamos trabalhar com a crença: um urubu tocou o sino de uma igreja na Colômbia. Daqui partiremos.

Há também um cachorro que assiste à missa das cinco, todos os dias, em uma pequena cidade da Paraíba. E um gato que visita o túmulo do dono, semanalmente, em um lugar qualquer da Polônia.

Talvez mais casos de cachorros e gatos com o mesmo hábito existam mundo afora. E assim os animais estão nos contando que sabem mais, muito mais do que parecem saber. Talvez até mais do que nós mesmos, pobres humanos, constantemente aguardando sinais do apocalipse.

Na minha casa tenho quatro felinos: uma idosa sem carisma nem paciência, um monge de paz e sabedoria que fala palavras em português, um transtornado com problemas de ansiedade e um obeso carinhoso e feliz, apesar de apanhar muito do transtornado.