Nesses dias, entre 13 e 19 de agosto, quando acontece um ciclo para comemorar os 30 anos do novo cinema de Pernambuco, vem ao caso lembrar a surpresa que foi, em 1996, ver um filme daquele estado concorrendo no Festival de Cinema de Brasília. Afinal, havia 20 anos que não se produzia um longa-metragem por lá, e o velho ciclo de filmes mudos do Recife acabara há quase 70 anos.
Mas ninguém se espantou quando "Baile Perfumado" saiu daquele festival levando o prêmio de melhor filme. E até hoje, a força e a novidade de suas imagens continuam a impressionar.
Havia algo de intrigante ali: uma visão do cangaço que ninguém ainda conhecia, a modernidade surpreendente, a inventividade da imagem e mesmo a discussão sobre fazer cinema embutida na trama, em que a figura central, mais que Lampião, é Benjamin Abraão, o libanês que legou as únicas imagens filmadas do cangaço.
Num cinema de poucos feitos notáveis, como o brasileiro naqueles anos 1990, tudo isso chamou a atenção. No Recife, algo diferente acontecia. "Era disruptivo, fugia à tradição", comentou o crítico Luiz Joaquim.
Hoje, ninguém dirá que os quatro filmes a serem apresentados constituem uma mostra exaustiva. Ela comemora datas redondas —"Baile Perfumado" completa 30 anos; "Baixio das Bestas", de Cláudio Assis, e "Cinema, Aspirinas e Urubus", 20 anos; enquanto "Boi Neon", de Gabriel Mascaro, chega à primeira década.










