Após cruzar com estrelas de Hollywood como Faye Dunaway no Festival de Gramado (RS), o economista Alfredo Bertini retornou ao Recife com uma certeza: iria criar um festival de cinema em Pernambuco inspirado no evento do Rio Grande do Sul. "Ele voltou despirocado", afirma a economista e produtora Sandra Bertini, 65.
Ao regressar à cidade natal, Bertini abriu mão de sua carreira pública estável para focar no novo projeto, chegando a pedir demissão da Universidade Federal de Pernambuco, onde, anos antes, havia cursado economia e conhecido Sandra.
Antes disso, em 1994, foi contratado como secretário-adjunto no governo do Estado de Pernambuco. Como naquela época ainda não existia uma Secretaria de Cultura, era ele quem recebia materiais para aprovação de projetos de filmes, danças e teatros, o que o fez se apaixonar pelas artes.
A primeira edição do Cine/PE aconteceu em 1997 no histórico Cinema São Luiz. No ano seguinte, a 20 dias da abertura, a mostra enfrentou um imprevisto: a sala original precisava ser liberada para a exibição do blockbuster "Titanic".
Betini não hesitou. Comprou o maior telão disponível no país e transformou o Teatro Guararapes em sala de projeção —encheu os 2.405 assentos. Lá, o filme "Central do Brasil" foi exibido pela primeira vez no país, com a presença da atriz Fernanda Montenegro e do diretor Walter Salles. A obra, indicada ao Oscar no ano seguinte, acabou aplaudida de pé por cerca de dez minutos, anunciando a nova dimensão do festival.









