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Nesta semana, ocorreu mais um exemplo de um fenômeno sobre o qual já falei aqui: problemas graves que vinham sendo cultivados há anos nos espaços fechados da internet vêm à tona quando crimes hediondos explodem na esfera pública.

Foi o caso da morte da menina Lívia no Mato Grosso do Sul, induzida ao suicídio dentro da plataforma Discord, após ter falhado em torturar e matar um gato.

Novidade para a grande maioria dos brasileiros, essas redes de abusos e crimes contra adolescentes, crianças e animais no Discord já são de conhecimento do aparato investigativo e policial brasileiro desde ao menos a onda de ataques a escolas em 2022 e 2023. E desde então, nada mudou – pelo contrário, chegou-se ao desenlace trágico de uma morte transmitida ao vivo para uma plateia de dezenas de pessoas, também menores de idade.

Para variar, os termos em que o problema foi enquadrado nas redes sociais foram os piores possíveis. Políticos como Nikolas Ferreira e Renan Santos se aproveitaram de uma das maiores atrocidades que seres humanos podem cometer para “lacrarem” em cima da primeira-dama, Janja da Silva, que defendeu publicamente o bloqueio do Discord no País.