Nomeação de novo presidente do Conselho de Segurança Nacional pode deixar regime mais coeso, analisa Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O novo presidente do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, durante debate eleitoral em 2021 quando se candidatou à presidência do país — Foto: AFP/Iranian Young Journalist Club (YJC) Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Volto hoje das férias. A guerra do Irã, ao longo da minha ausência desde a final da Copa do Mundo, chegou a escalar. Houve temor de retomada total do conflito. Nos últimos dias, no entanto, os combates se acalmaram, embora ainda ocorram ações esporádicas. No campo diplomático, como nos últimos meses, há dias de otimismo e dias de pessimismo. O Memorando de Entendimento, firmado entre o Irã e os EUA, permanece congelado e sem implementação. O Estreito de Ormuz não foi reaberto pelo regime de Teerã, e o bloqueio norte-americano aos portos iranianos tampouco foi levantado. Novo comandante – A principal novidade dos últimos dias é o anúncio de Mohsen Rezaei, um veterano ex-comandante da Guarda Revolucionária, para presidir o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, substituindo Mohammad Bagher Zolghadr, que passará a assessorar o líder supremo, Mojtaba Khamenei. Liderar o Conselho Supremo de Segurança Nacional é um dos postos mais importantes do regime iraniano em tempos de guerra. No início do conflito, o cargo era ocupado pelo poderoso Ali Larijani, morto em bombardeio israelense. Aliado de Ghalibaf – Rezaei é próximo de Mohammad Ghalibaf, presidente do Majilis (o Parlamento do Irã) e visto como a figura mais forte nas decisões do regime sobre a guerra — Mojtaba Khamesnei segue sem aparecer publicamente e há relatos de que esteja gravemente ferido. Já o presidente Massoud Pezeshkian tem mais a função de cuidar do dia a dia da administração doméstica, com pouca influência em questões de segurança nacional. Significado – A nomeação de Rezaei pode indicar, em primeiro lugar, um fortalecimento de Ghalibaf no comando das decisões relacionadas à guerra e às negociações com os EUA. Os dois possuem ótimas relações. Também é mais um nome com experiência de comando na Guarda Revolucionária, além de ser mais um veterano da Guerra Irã-Iraque, como muitos que assumiram o alto escalão desde o início da atual guerra, quando diversas autoridades foram mortas em bombardeios norte-americanos e israelenses. Impactos – Os efeitos das mudanças na cúpula do regime são difíceis de mensurar. Rezaei facilitará as negociações com os EUA ou tenderá a defender uma maior radicalização no conflito? Ainda é cedo para dizer. Mas sua nomeação pode deixar o regime mais coeso, e decisões que envolvam algumas concessões podem ser aceitas mais facilmente pelos radicais caso partam de Rezaei, que tem um forte histórico de radicalismo dentro do regime. Possui, assim como seu aliado Ghalibaf, conexões com os campos político e militar em Teerã. Terrorismo – Rezaei é acusado pela Justiça da Argentina de ser um dos mentores dos atentados terroristas contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, e contra a AMIA, uma entidade judaica com sede na capital argentina, dois anos mais tarde. Por causa de seu envolvimento nos ataques, há um pedido de prisão emitido pela Interpol. Outra figura do regime iraniano que ganhou força durante a guerra é Ahmed Vahidi, atual comandante da Guarda Revolucionária, considerado o arquiteto dos atentados terroristas na capital argentina. Retorno – Com o fim das minhas férias, a newsletter volta a ser diária. Na quinta-feira, é publicada a minha coluna da edição impressa do O GLOBO. O foco será, especialmente, os conflitos no Oriente Médio.
As mudanças na cúpula em Teerã
Nomeação de novo presidente do Conselho de Segurança Nacional pode deixar regime mais coeso, analisa Guga Chacra em newsletter especial











