Veterano da Guarda Revolucionária foi indicado pelo novo líder supremo, o recluso Mojtaba Khamenei, e terá voz de destaque sobre os rumos da guerra contra os EUA 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Conselheiro militar do líder supremo do Irã, Mohsen Rezai — Foto: Reprodução O Irã anunciou, no domingo, o nome do veterano Mohsen Rezaei para liderar o Conselho Supremo de Segurança Nacional, um dos principais órgãos do ecossistema de defesa do país, e ligado diretamente ao líder supremo, Mojtaba Khamenei. Veterano dos tempos da Revolução Islâmica de 1979 e da Guerra Irã-Iraque, Rezaei também é mais um sinal de como a Guarda Revolucionária expandiu seus domínios no Estado iraniano desde o início do conflito com os EUA e da morte de Ali Khamenei, em fevereiro. A indicação foi confirmada no domingo, e o alça a um dos postos mais importantes na República Islâmica, à frente de um órgão responsável por determinar políticas de defesa nacional e de segurança, sob orientação do líder supremo. Ao todo, são 13 membros, incluindo o presidente, Masoud Pezeshkian, ministros, comandantes de Forças Armadas e membros do Judiciário. Além de ser o novo secretário do conselho, Rezaei passa a ser o representante direto do líder supremo. Na atual guerra contra os EUA, o Conselho Supremo de Segurança Nacional deu o aval necessário para a aprovação do memorando de entendimento com Washington, firmado em junho mas que desmoronou semanas depois. Rezaei substitui Mohammad Bagher Zolghadr, outro oriundo da Guarda Revolucionária que ocupava o posto desde a morte de Ali Larijani, morto na primeira onda de ataques americanos e israelenses, em fevereiro. Rezaei é um dos mais conhecidos e polêmicos nomes do meio político-militar iraniano. Próximo das lideranças do movimento que derrubou o Xá Reza Pahlevi, especialmente do aiatolá Khomeini, ele assumiu o comando da Guarda Revolucionária em 1981, quando tinha 27 anos e o Irã estava diante da ofensiva contra o Iraque, de Saddam Hussein. Sob sua liderança ocorreu um dos grandes fracassos militares do conflito, a Operação Karbala-4, quando mais de três mil soldados morreram sem avanços reais no terreno. Rezaei deixou o comando da Guarda Revolucionária em 1997, mas não teve sucesso em empreitadas políticas, amargando derrotas em três eleições presidenciais. Seu estilo explosivo e seus comentários questionáveis — em 2015, disse que sequestraria “mais de mil americanos” e pediria resgates de bilhões de dólares se o Irã fosse atacado pelos EUA — o tornaram um personagem folclórico, mas com fortes ligações com o poder. Recentemente, como assessor militar de Mojtaba, afirmou que o controle do Estreito de Ormuz era mais importante do que "dezenas de bombas nucleares". Analistas veem na escolha pelo nome de Rezaei uma decisão estratégica por parte de Mojtaba Khamenei. Ela consolida a posição de influência da Guarda Revolucionária no processo decisório do país, no momento em que as negociações com os americanos estão estagnadas e em que Israel dá sinais de que poderá retomar a guerra mesmo sem o aval de Washington. A experiência militar e política nas últimas décadas, além da proximidade e da confiança do líder supremo, lhe permitirá navegar por diferentes campos e interesses. — Eles precisavam de alguém capaz de, de alguma forma, sincronizar diferentes órgãos do governo — disse Abbas Aslani, do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio, sediado em Teerã, à rede al-Jazeera. — Politicamente, ele não difere muito de seu antecessor na área de segurança, mas o papel que pode desempenhar internamente, atuando como um elemento de equilíbrio no país, é bastante significativo nesse aspecto. Acredito que seja importante ter alguém capaz de dialogar com diferentes facções, e é por isso que ele foi escolhido. A proximidade com Mohammad Bagher Ghalibaf, o poderoso presidente do Parlamento que assumiu protagonismo nas conversas com os EUA, confirma a preferência de uma política mais linha-dura por parte do líder supremo no conselho. Mas Rezaei também poderá servir como um contrapeso à crescente influência de Ghalibaf e para conter o grupo de Pezeshkian e do chanceler, Abbas Araghchi, frequentemente atacados pelos conservadores pela insistência na diplomacia. Como destacou Ghalibaf em sua mensagem de congratulações a Rezaei, a República Islâmica se encontra “em uma de suas situações históricas mais delicadas”, em meio a negociações incertas, com um presidente imprevisível na Casa Branca e com novos arranjos políticos e de segurança no Oriente Médio. Ainda não está claro se o novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional será o mesmo político das bravatas e ameaças ou se adotará uma postura mais concisa e diplomática. E, no mais importante, se terá sucesso na contenção de interesses e egos combativos no órgão. — Essa configuração não vai funcionar — afirmou, em tom de pessimismo, Saeid Golkar, professor da Universidade do Tennessee em Chattanooga, ao New York Times. — Todo mundo quer ser rei.
Linha-dura e procurado pela Interpol: Irã anuncia Mohsen Rezaei como novo chefe do Conselho de Segurança Nacional
Veterano da Guarda Revolucionária foi indicado pelo novo líder supremo, o recluso Mojtaba Khamenei, e terá voz de destaque sobre os rumos da guerra contra os EUA











