O episódio é narrado no livro 'Chame o ladrão', de Miguel de Almeida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cena de 'Dona Flor e seus dois maridos' — Foto: Divulgação O produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, que nos deixou no último dia 22, aos 98 anos, conseguiu em 1976 que o próprio general Ernesto Geisel, então presidente em plena ditadura militar, assistisse a "Dona Flor e seus dois maridos" e liberasse o filme sem cortes, ao contrário de seu ministro da Justiça, Armando Falcão, que havia indicado treze vetos. O filme, como sabe, dirigido por Bruno Barreto, filho de Barretão e inspirado no famoso clássico de Jorge Amado, foi um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema brasileiro. O episódio consta de "Chame o ladrão - Como os artistas driblaram a censura do governo militar", do escritor e jornalista Miguel De Almeida, recém-lançado pela Record. O livro, que conta o lado B do embate entre os criadores e os órgãos censórios, traz, além da liberação de "Dona Flor", outros episódios com personagens como Chico Buarque, Taiguara, Odair José e Glauber Rocha, por exemplo. "A obra procura mostrar como os artistas driblaram e venceram a censura, muitas vezes com humor e malandragem", conta Miguel. Em tempo O título do livro do coleguinha remete ao verso "Chame o ladrão" da música "Acorda, amor", de Chico Buarque, lançada em 1974 sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide para driblar a censura da ditadura militar. A ironia de "Chame o ladrão" ao invés de "Chame a polícia" denunciava, diante de alguém batendo no portão, um medo maior de que se tratava de agentes da repressão.