A rua 125, no norte da ilha de Manhattan, em Nova York, é a principal artéria do Harlem, bairro dividido entre o lado leste, de herança latina, e o lado oeste, de herança negra. A via, parcialmente ocupadas por camelôs, reúne filas de lojas de departamento, outlets, restaurantes de fast-food e prédios de serviço social. Mas, desde novembro do ano passado, um novo prédio salta aos olhos.
Incrustado entre um centro de assistência social e um McDonald's, há um edifício moderno, todo cinza-chumbo com janelões espelhados. Sobre a porta pesada de madeira, flamula uma bandeira dos Estados Unidos, na qual o branco das listras e estrelas é preto, o azul do fundo do céu é verde e as demais listras, vermelhas. São as cores do pan-africanismo.
O edifício abriga, em meio ao caos cotidiano, o Studio Museum, uma espécie de meca da arte negra. O museu, inaugurado em 1968 na sua primeira iteração, voltou à atividade na nova sede em novembro do ano passado, depois de uma reforma milionária que se estendeu por sete anos.
A motivação para a inauguração em 1968, numa sobreloja a dois quarteiões do imponente prédio atual, era a mesma que embala a reabertura, segundo a diretora da instituição Thelma Golden. "Tanto os fundadores quanto os artistas envolvidos com o museu na época estavam profundamente interessados em se entender e entender o trabalho deles nos Estados Unidos em relação à diáspora africana", diz a curadora, que já passou pelo Whitney Museum.










