Problemas operacionais no Brasil e piora do resultado financeiro afetaram o resultado da empresa de cosméticos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Natura Cosméticos encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 35 milhões, queda de 92,1% ante os R$ 446 milhões registrados nas operações continuadas um ano antes. O resultado foi afetado principalmente pela piora de R$ 320 milhões no resultado financeiro líquido, decorrente de custos com a liquidação de derivativos, e por uma base de comparação desfavorável, que havia sido beneficiada por efeitos cambiais contábeis em 2025. Confira os resultados e indicadores da Natura e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A receita líquida consolidada caiu 9,1%, para R$ 5,17 bilhões, pressionada sobretudo pela operação brasileira. No país, a companhia enfrentou problemas na disponibilidade de produtos. As dificuldades estavam relacionadas à estabilização de sistemas e à reorganização de sua produção. A receita líquida no Brasil recuou 14,8% no trimestre. As vendas da marca Natura caíram 14,5%, enquanto as da Avon tiveram retração de 22,5%. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pelas dificuldades na estabilização do novo sistema de planejamento integrado, pela atualização do SAP, sistema de gestão empresarial, e pela realocação de volumes após o fechamento da fábrica de Interlagos. Além dos gargalos operacionais, a operação brasileira foi afetada por um descasamento tributário temporário de ICMS-ST em São Paulo. O efeito reduziu as vendas líquidas em cerca de dois pontos percentuais e pressionou a margem Ebitda em 190 pontos-base. Com isso, o Ebitda consolidado ficou em R$ 620 milhões, queda de 5,9% na comparação reportada. Na América Hispânica, por outro lado, a receita cresceu 7,2%, desconsiderando o efeito da variação cambial, com o México como principal destaque. O desempenho foi sustentado pelo aumento da atividade comercial e pela expansão das vendas cruzadas entre as marcas Natura e Avon. Na região, a margem Ebitda avançou 220 pontos-base, favorecida pelos ganhos de eficiência decorrentes do novo modelo operacional. Diante do desempenho do primeiro semestre, a Natura também revisou suas ambições para 2026. A companhia decidiu não buscar uma expansão de margem Ebitda que dependesse da redução de investimentos considerados essenciais em marca, pesquisa e desenvolvimento e marketing. A prioridade, segundo a administração, é preservar a saúde do negócio no longo prazo. No campo societário, a companhia confirmou a entrada do fundo Lotus, gerido pela Advent International, que adquiriu uma participação mínima de 8% do capital social. A empresa solicitou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre a dispensa de oferta pública de aquisição (OPA) e a eleição de dois novos integrantes para o conselho de administração. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 3,9 bilhões, enquanto a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, recuou para 2,06 vezes, apoiada pela geração positiva de fluxo de caixa livre no período. — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo