Enquanto grupo atravessa ampla reestruturação, mercado aguarda resultados do processo na recuperação do faturamento, enquanto revisa projeções para após divulgação da prévia trimestral Divulgação Natura — Foto: Divulgação Natura Depois de publicar resultados preliminares que apontam para queda de até 10% no faturamento consolidado no segundo trimestre de 2026, a Natura enfrenta o desafio de comprovar que eventos que pressionaram a receita no período foram pontuais. O grupo atravessa ampla reestruturação, focado na simplificação operacional e na integração das marcas Natura e Avon na América Latina, após a venda de ativos internacionais. O mercado aguarda resultados do processo na recuperação do faturamento, enquanto revisa para baixo recomendações para as ações da companhia e refaz projeções para após a divulgação dos números trimestrais. O alerta já havia sido dado pela Natura em maio. “Tenho a obrigação de alertar que, no mês de junho, viveremos a substituição de um dos sistemas SAP [sistema de gestão empresarial] da nossa indústria, que apesar da alta prontidão técnica, pode trazer turbulência”, afirmou, na época, João Paulo Ferreira, presidente. Mas a gravidade surpreendeu. A companhia disse que o desempenho do segundo trimestre, que poderá variar de uma receita entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, queda de 9% a 10% na base anual, foi impactado pela operação no Brasil, seu principal mercado, que sofreu escassez de produtos, desabastecimento que resultou da estabilização do novo sistema de Planejamento Integrado e de atualizações no sistema de gestão SAP. Pesou também a realocação de volumes da fábrica de Interlagos (SP), desativada para otimizar a malha produtiva. Para analistas, o impacto se mostrou pior do que o antecipado. E há ainda preocupação com o ambiente competitivo. Segundo o Itaú BBA, a “desaceleração brusca” no Brasil mostra que a competição com plataformas como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop está acirrada, o que pode prejudicar a recuperação. Mesmo com a notícia ruim, os papéis da companhia fecharam com alta de 5,6%, maior do Ibovespa, na quarta-feira (8), o que pode ser explicado pela taxa de aluguel de ações da companhia, que atingiu máxima de 147% ao ano na terça-feira (7) e que dificulta novas apostas na queda do papel. A percepção de alguns de que a reestruturação já gera frutos pode ter alguma influência. A companhia sinalizou melhora na rentabilidade no segundo trimestre, mesmo sem deixar claro se problemas relacionados com falta de produtos e na implementação do sistema de gestão SAP já haviam sido resolvidos, também notaram analistas. Para o Itaú BBA, a entrada da gestora americana Advent no conselho de administração é “gatilho em potencial” positivo pelo histórico em melhorias de processos. O fundo comprou uma participação de 6,6% na Natura e deve converter mais 1,4% por meio de derivativos e, com isso, terá duas indicações no conselho de administração da empresa. Para Daniel Utsch, da gestora Nero Capital, as justificativas da gestão para o segundo trimestre ainda são observadas com cautela. “A companhia está acelerando na tentativa de voltar a ter crescimento e rentabilidade, só com a operação da Natura e da Avon na América Latina, que é o que ficou depois de toda essa ressurreição. O ‘turnaround’ parece estar caminhando, mas agora é ver o resultado.”
Depois de encolher receita, Natura tem desafio de provar que gargalos foram pontuais
Enquanto grupo atravessa ampla reestruturação, mercado aguarda resultados do processo na recuperação do faturamento, enquanto revisa projeções para após divulgação da prévia trimestral







