Reação positiva do mercado ocorre após a companhia reportar problemas operacionais e destacar a geração de caixa e o desempenho da operação na América Hispânica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábrica de sabonetes da Natura — Foto: Divulgacao As ações da Natura &Co operam em alta nesta terça-feira (11), apesar da queda de 92% no lucro líquido do segundo trimestre. Por volta das 12h35, os papéis ordinários (NATU3) subiam 2,33%, a R$ 8,26. A reação positiva do mercado ocorre após a companhia reportar problemas operacionais e destacar a geração de caixa e o desempenho da operação na América Hispânica. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, o presidente João Paulo Ferreira classificou como “transitórios e autoimpostos” os problemas que levaram a receita da operação brasileira a cair 14,8% no trimestre. Segundo o executivo, a companhia enfrentou uma “severa indisponibilidade de produtos” em razão de um acúmulo de iniciativas operacionais, entre elas a atualização do sistema SAP e a reorganização logística após o fechamento da fábrica de Interlagos. “A essência da nossa frustração veio de problemas internos, desafios de execução fundamentalmente autoimpostos”, afirmou Ferreira. Segundo ele, a Natura voltou a investir de forma mais agressiva no fim de 2024, após anos de subinvestimento, mas a aceleração aumentou o risco de execução. “O curto prazo não me assusta, a reação da organização me dá confiança de que estamos às vésperas de um novo ciclo de crescimento”, disse. Questionada pelo Valor sobre a aparente contradição entre classificar os problemas como transitórios e, ao mesmo tempo, reduzir as ambições de margem para 2026 e fazer ressalvas sobre 2027, a diretora financeira Silvia Vilas Boas disse que a companhia preferiu preservar investimentos considerados estratégicos. “Para sustentar a nossa ambição anterior, teríamos que abrir mão de muitos investimentos que constroem o futuro. Estrategicamente, nossa decisão foi não abrir mão desses investimentos”, afirmou. Para 2027, a executiva acrescentou que a prioridade será manter a alavancagem em níveis adequados diante das incertezas macroeconômicas e fiscais, que podem afetar o consumo. Enquanto o Brasil enfrenta problemas de execução, a operação Hispana, que reúne os mercados da América Hispânica, apresentou crescimento de 7,2% da receita em moeda constante no trimestre. Sem a Argentina, a alta ficou próxima de 11%. O México foi o principal destaque, impulsionado também pelas vendas cruzadas entre Natura e Avon, com a oferta de produtos de uma marca para a base de clientes da outra. O desempenho veio após a companhia ter antecipado, em julho, parte dos números do trimestre. Em relatório, o BTG Pactual classificou os resultados como “feios, mas já antecipados” e manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 12. Embora a receita no Brasil tenha ficado 2% abaixo da estimativa do banco, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e a geração de caixa vieram acima do esperado. “O mercado não gostou dos números, mas elogiou a atitude da companhia de mantê-los informados antecipadamente. Entregamos rentabilidade e caixa acima das expectativas dos analistas”, afirmou Vilas Boas. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 3,9 bilhões, com a alavancagem recuando para 2,06 vezes, apoiada pela geração de fluxo de caixa livre. No campo societário, o próximo foco é a assembleia de acionistas prevista para o fim do mês, que deve votar a entrada de dois novos membros indicados pelo fundo Lotus, da Advent, no conselho de administração.