Quando pensamos na aposentadoria, muitos desejam se aposentar não apenas do trabalho, mas também da preocupação de como o dinheiro chegará à conta todos os meses. Depois de décadas acumulando patrimônio, é natural sonhar com investimentos que simplesmente depositem uma renda mensal, sem exigir decisões ou acompanhamento. É daí que nasce parte do fascínio pela chamada renda passiva, e também algumas ilusões sobre ela.
Recentemente, um leitor me trouxe uma dúvida que representa bem esse desejo. Prestes a se aposentar e com R$ 2 milhões disponíveis, perguntou se não seria melhor comprar dois imóveis de R$ 1 milhão e viver dos aluguéis, em vez de manter o dinheiro em aplicações financeiras conservadoras. Afinal, dois imóveis alugados parecem oferecer exatamente o que se espera da aposentadoria: dinheiro entrando todos os meses sem que seja necessário se preocupar com os ativos.
Mas essa aparente tranquilidade esconde uma questão importante: Na aposentadoria, não basta perguntar quanto um patrimônio pode render na média. É preciso avaliar com que previsibilidade essa renda chegará, quais custos podem surgir, quanto risco está concentrado em poucos ativos e, principalmente, quanta flexibilidade haverá quando a vida não seguir exatamente o planejado e se precisar de algo mais que a renda mensal.







