Nesta eleição, está combinado, a maioria dos partidos vai jogar separado. Só o PT entra na disputa presidencial do jeito tradicional, coligado a seis legendas: PSB, PSOL-Rede, PDT, PV e PC do B.

Não deixa de ser uma ironia o partido com vocação a protagonista, cuja política de alianças só foi aceita por imposição da realidade, ser o único que concorre acompanhado. No campo limitado à esquerda, é verdade, mas ali com um Geraldo Alckmin (PSB) na figuração do centro.Sabemos, contudo, que a força da candidatura não está nos aliados; está onde sempre esteve nas últimas décadas: em Lula. Fosse outro o candidato e não ocupasse a Presidência, provavelmente nem essa aliança existiria.

Alterações nas regras eleitorais e no equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo mudaram a cena. Acabaram as coligações proporcionais, os partidos têm autonomia financeira, há uma barreira de desempenho a ser ultrapassada e pouco a disputar no plano nacional onde imperam os eleitorados cativos dos favoritos.

Manifestam-se preocupações entre os espectadores da política com o fato de ser esta a primeira eleição desde a volta das diretas a praticamente não ter alianças na corrida ao Palácio do Planalto. Mas ninguém explicita qual o risco presumidamente embutido; por acaso a fartura anterior de coligações influiu para melhor ou pior na performance dos dois Poderes em questão?