Mostra individual da vocalista da banda Cansei de Ser Sexy inaugura espaço expositivo do Teatro Cultura Artística em São Paulo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A artista Luísa Matsushita encontrou na abstração uma forma de expressão artística — Foto: Pedro Bucher Luísa Matsushita tinha 16 anos quando desembarcou em São Paulo, vinda de Campinas, onde nasceu, e foi morar num apartamento na Rua Augusta. “Cheguei lá por causa do aluguel barato, e entendi, na primeira noite, o que aquele lugar representava”, recorda-se. “Foi onde comecei a sair e a fazer conexões.” Era o marco zero da estrada que a levou ao posto de rockstar, como LoveFoxxx, vocalista da banda Cansei de Ser Sexy, um fervo dos anos 2000. O grupo não faz shows desde outubro de 2025, mas Luísa segue em franca ebulição e volta, como artista visual, à região onde tudo começou. Daí o título “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite” para a individual que inaugura, no próximo dia 15, no Teatro Cultura Artística, pertinho de seu primeiro endereço na capital. “Não consigo desvencilhar essa localização do meu passado, sabe?” Com dez telas e uma instalação, a mostra marca a primeira edição da ABERTO Solo, dedicada à apresentação de mostras individuais de artistas. Inaugura também o novo espaço expositivo do teatro, algo previsto no projeto original do arquiteto Rino Levi (1901-1965), mas ativado só agora, 70 anos depois da inauguração. “Nas edições coletivas da ABERTO, as obras de Luísa sempre estiveram entre as que mais chamaram atenção das pessoas”, conta o idealizador do projeto, Filipe Assis, sobre a escolha do nome para esta exibição. “Na edição de Paris, por exemplo, notamos um interesse grande por parte de galeristas e curadores de grandes instituições.” Telas combinam formas orgânicas e geométricas — Foto: Erika Mayumi Faz pouco mais de 10 anos que ela assumiu as artes visuais como ofício e encontrou na abstração o caminho para escoar sua pulsão criativa, entre cores fortes e formas orgânicas e geométricas. “Quando comecei a pintar, aos 29, eu me sentia tão atrasada... Então, rapidamente encontrei o meu estilo. Havia muito desejo em viver aquilo”, diz a artista, cujos trabalhos acabam de inspirar uma pulseira em prata de lei da HStern e vão ganhar uma nova individual em 2027 na Mazzucchelli Cardoso, sua galeria em São Paulo. Artista começou a carreira nas artes visuais há cerca de 10 anos — Foto: Erika Mayumi Enfileirar estas conquistas aos 42 anos traz a Luísa o conforto de ter encontrado o caminho para a realização pessoal. “Percebo as obras como maiores do que eu. Têm uma presença e uma elegância que não tenho pessoalmente”, afirma. “Então, é como se eu estivesse trabalhando para elas. Gosto disso porque já fui a pessoa principal, a cara do meu trabalho, e hoje prefiro que a pintura tenha este papel.”