Provocados a falar de seus candidatos a presidente, petista é mais vocal em defender Lula, enquanto o ex-ministro de Bolsonaro disse ser 'grato' ao ex-presidente, sem citar o nome de Flávio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tarcísio e Haddad no debate da Band, neste domingo — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo O debate da Band para o governo de São Paulo, que teve como únicos participantes Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), teve jeitão de disputa presidencial e cara de segundo turno, até pelas regras diferentes de outros estados, com a antecipação do confronto direto entre os candidatos e o uso do banco de tempo para que eles administrassem. A discussão de alto nível repetiu o que já havia se dado em 2022, entre os mesmos oponentes. A tal ponto de, em muitos momentos, os dois soarem demasiadamente técnicos ou obscuros para o telespectador comum. Em outros, a discussão migrou de São Paulo para o plano nacional, algo que deve ser uma tônica de toda a campanha, tanto pela centralidade do estado para a disputa presidencial quanto pelo protagonismo dos próprios postulantes — que podem repetir essa disputa em 2030, aí sim como candidatos ao Planalto. Quando foram provocados a falar de seus candidatos a presidente, Haddad foi mais vocal em defender Lula. Tarcísio disse ser “grato” a Jair Bolsonaro e que estava na hora de “mudar” o governo federal, mas não citou o nome de Flávio Bolsonaro. Haddad se mostrou impaciente, irônico e, por vezes, soou agressivo ou arrogante, enquanto Tarcísio conseguiu manter o linguajar técnico a todo tempo — a ponto de ser alvo de chacota do petista, que disse que ele gostava de uma “decoreba” ou tinha jeito de “concurseiro”, alfinetadas que o eleitor costuma rejeitar em pesquisas qualitativas. O petista conseguiu bons momentos ao mostrar dados negativos do governador na Educação e colocá-lo na defensiva com os temas da segurança pública, dos pedágios nas rodovias e da privatização da Sabesp. Ele recorreu por mais de uma vez ao expediente de instar o eleitor a pesquisar no Google ou na inteligência artificial. Em dois casos — a queda de São Paulo no Ideb e a demora de Tarcísio em aderir à renegociação das dívidas —, ele estava certo, mas errado quando falou de investimento do governo. Outra estocada bem encaixada foi sobre o tarifaço. Haddad disse que um grupo político apoiou o agressor (no caso, os Estados Unidos). “Governador de São Paulo tem que colocar o boné certo na cabeça, o boné do Brasil.” Mas Haddad se esquivou de responder sobre corrupção, evidenciando o calcanhar de Aquiles do PT com este tema. O tom sereno fez com que Tarcísio tenha parecido mais seguro e humilde. Seu recurso de citar cidades, bairros e programas passou a sensação de um governador que conhece o estado e os dados de seu governo. Por fim, os dois deram um exemplo a seus candidatos a presidente, ao comparecer ao debate direto e promover um encontro de alto nível.