Governador chega ao debate menos dependente do bolsonarismo, com a máquina nas mãos, e apostará em deixar de lado a disputa nacional e destacar entregas de seu governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os candidatos ao governo de SP Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) — Foto: Renato Pizzutto/Band/Divulgação Quase quatro anos após se enfrentarem nas urnas pela primeira vez, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) vão reeditar a disputa de 2022 ao governo paulista — desta vez, em um cenário quase de “antecipação” de segundo turno. O atual governador e o ex-ministro da Fazenda serão os únicos candidatos no primeiro debate da eleição estadual de 2026, que será transmitido amanhã, às 20h, pela TV Band, já que os partidos dos demais postulantes não têm a representatividade mínima no Congresso exigida para participar. Devido às regras do debate — dois dos três blocos terão embates diretos com 20 minutos para que cada candidato administre como quiser seu tempo —, Tarcísio e Haddad terão liberdade para escolher os temas que vão abordar com mais ênfase. Parte do primeiro bloco e o segundo bloco terão perguntas de jornalistas. Momentos distintos Se, em 2022, era “o ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro” e nunca havia disputado uma eleição, Tarcísio chega ao debate menos dependente do bolsonarismo, com a máquina nas mãos, e apostará em deixar de lado a disputa nacional e destacar entregas de seu governo, em especial na área de infraestrutura e mobilidade. Já Haddad tentará vender a imagem de alguém que “estudou o estado” e deve trazer à baila temas como segurança pública, educação e concessões, e alternar entre pautas locais e temas nacionais para destacar o governo Lula, usando as experiências como ministro da Fazenda e da Educação e como prefeito de São Paulo. Tarcísio deve apostar na estratégia que já permeia seus discursos de pré-campanha: ressaltar entregas e projetos que tocou durante seu mandato no Palácio dos Bandeirantes. Aliados sinalizam que ele pretende — na campanha como um todo — focar mais na ideia de “legado” e de continuidade, evitando responder a todos os ataques de Haddad. O candidato à reeleição deve usar como trunfos as recém-inauguradas linhas 6 (Laranja) e 17 (Ouro) do metrô e o trecho norte do Rodoanel, além de entregas de unidades habitacionais. Ao lado dos projetos do Túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades (TIC) Campinas, que tiveram contratos assinados para início de obras, o Rodoanel e a expansão metroviária devem ser enfatizados como “promessas antigas” tiradas do papel, em oposição a gestões anteriores — entre elas a do vice-presidente Geraldo Alckmin, que geriu São Paulo por 13 anos. Tarcísio, porém, se prepara para “vidraças”. O governador deve ser questionado pelo adversário sobre falhas em linhas de trem concedidas que causaram transtornos na capital esta semana e acidentes em obras da Sabesp, que foi privatizada em sua gestão. Já Haddad, que tem a missão não só de tentar se eleger governador, mas também de fazer um palanque forte para Lula em São Paulo, deve mencionar ações do governo federal no estado nos últimos anos, como o financiamento conjunto de grandes obras — mesmo as do túnel Santos-Guarujá e para ampliação de linhas do metrô tiveram recursos federais ou do BNDES. Ele também deve aproveitar para divulgar promessas para a segurança pública, cujo plano completo será divulgado no dia seguinte. A área tradicionalmente é vista como “calcanhar de Aquiles” do PT. O petista tem dito que quer ser “o governador da segurança pública”, apostando no tema que mais preocupa os paulistas, segundo pesquisas. A sensação de insegurança nas ruas (impulsionada pelos roubos e furtos de celular) e a alta na violência contra a mulher no estado devem ser os maiores enfoques de Haddad. Projetos que ele tocou como ministro da Fazenda também devem ganhar espaço, especialmente a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a Reforma Tributária aprovada durante o governo Lula.