Cenário com poucas candidaturas competitivas para além da dupla pode favorecer definição em primeiro turno Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, rivais na eleição ao governo paulista — Foto: Diogo Zacarias RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 20:12 Polarização entre Tarcísio e Haddad marca eleição em SP 2024 A disputa pelo governo de São Paulo em 2024 deve ser marcada pela polarização entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Ambos montaram fortes coalizões políticas, reduzindo a competitividade de outras candidaturas, o que pode levar a uma definição no primeiro turno. Tarcísio agrega apoio do centro e direita, enquanto Haddad conta com alianças nacionais do PT. Partidos menores buscam espaço, mas enfrentam dificuldades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A eleição ao governo de São Paulo neste ano deve ser marcada por uma polarização entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) desde o primeiro turno, muito por conta da capacidade de aglutinação dessas candidaturas entre siglas aliadas nos seus respectivos campos políticos. Um dos reflexos, que gera receio entre aliados do presidente Lula, pode ser o de repetir disputas anteriores que se resolveram sem a necessidade de uma segunda rodada. Tarcísio uniu a maior parte do centro e da direita ao consolidar o apoio imediato de PL, PSD, PP, União Brasil, MDB, Podemos e Novo. Ele tem a máquina na mão e aparece como favorito nas pesquisas. Haddad, por outro lado, deve o seu arco de alianças às costuras nacionais do presidente Lula, que conta com PSB, PSOL, Rede e PDT na sua base mais fiel. Indiretamente, a campanha pode ser beneficiada por outros concorrentes capazes de tirar votos do atual governador. Até o momento, entre os partidos políticos com representação no Congresso, apresentam-se como rivais da dupla Paulo Serra (PSDB), ex-prefeito de Santo André que comanda o diretório estadual tucano, e Kim Kataguiri (Missão), deputado federal e principal figura do partido organizado pela militância do MBL. Nenhum dos dois, contudo, tem a permanência no pleito como uma aposta segura neste momento. — A regra eleitoral hoje quase nos obriga a ter alianças. Vemos espaço para uma candidatura independente em São Paulo, longe da polarização, mas precisamos de capilaridade, de pessoas que façam essa mensagem chegar para que as pessoas fiquem conectadas. Estamos tentando aumentar o nosso exército — relata Serra, que pode optar por uma candidatura a deputado federal. O PSDB, junto com o Cidadania, abriu conversas com siglas que, na avaliação interna, estariam menos propensas a se aliar com Tarcísio e Haddad, como Podemos, Avante e a Federação Solidariedade-PRD. Serra pretende captar ao menos dois desses partidos para sair candidato. Ele também já se reuniu com Kataguiri para discutir um projeto conjunto. O deputado tem dito em entrevistas que sua condição para aderir ao pleito é atingir pelo menos 8% das intenções de voto nas pesquisas. Eleito com apoio do PSD e do PL, Tarcísio conseguiu ampliar a influência no comando do estado. Em 2024, bancou a tentativa de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), na capital. O partido, que já teve candidatos como Orestes Quércia, Paulo Skaf e Luiz Antônio Fleury, ficou, assim, em dívida com o mandatário. A resistência paulista, aliás, é apontada como uma das razões para o distanciamento formal de Lula, sob protestos de uma ala governista. Já o PP, herdeiro do “malufismo” em terras paulistas, fechou acordo com Tarcísio a partir da repatriação de Guilherme Derrite, deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública, agora pré-candidato ao Senado. Ele traz consigo o União Brasil, atualmente federado, que tem Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, como principal articulador político no estado. Essas negociações tiveram como pano de fundo, em mais da metade do mandato, a possibilidade de Tarcísio enfrentar Lula na eleição para presidente, deixando um vácuo a ser explorado no estado. O governador acabou preterido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que optou por ungir candidato o seu filho “01”, o senador Flávio. Aliados dizem que essa indefinição, de certa forma, contribuiu para a amplitude da chapa, pois dissuadiu os partidos a viabilizarem alternativas até o início deste ano. A principal ameaça a Tarcísio estaria com o partido de Gilberto Kassab, o PSD, que conseguiu montar uma legião de prefeitos e perdeu o posto de vice — Felício Ramuth migrou para o MDB depois de entrar em conflito com o dirigente sobre quem estaria nas urnas ao lado do governador. Mas Kassab não deve comprar a briga. Ele já indicou que estará com Tarcísio, ainda que haja dúvidas sobre o empenho eleitoral. Em conversa com o GLOBO, ele avaliou que a redução no número de candidatos ao Executivo é uma tendência no país. — Isso vai acontecer muito daqui pra frente, devido à redução do número de partidos, resultado da proibição de coligação proporcional e da cláusula de barreira. Em São Paulo, o mérito é do Tarcísio, que fez um bom governo e atraiu os partidos. Além disso, as campanhas estão mais austeras, tem menos dinheiro, ninguém lança candidato para jogar dinheiro fora — disse. No Senado, o governador não conseguiu pacificar seu grupo político em torno de apenas dois nomes. Além de Derrite, o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), concorre com o apoio de Eduardo Bolsonaro, mas não é uma unanimidade. O deputado federal Ricardo Salles (Novo) pretende atrair o eleitorado bolsonarista com o discurso de que Prado é um aliado histórico de Valdemar Costa Neto, presidente do PL e figura proeminente do chamado “Centrão”. Fernando Meira, presidente estadual do Novo, esclarece que o apoio a Tarcísio não passa, necessariamente, por uma coligação, mantendo a possibilidade de Salles sair candidato de modo independente. Ele também entende que não apresentar candidato ao governo do estado, ao contrário de anos anteriores, facilita na meta de eleger de cinco a sete deputados, porque Tarcísio compartilha dos “princípios e valores”. — Ele tem feito um governo muito positivo, atuando de forma correta. Por meritocracia, apoiamos — afirmou Meira, que preferiu não comentar a possibilidade de o governador atacar Salles da mesma forma que tem feito Eduardo, suplente de Prado. — O Tarcísio tem apreço pelo Salles. Os dois se dão bem. Do lado do PT, o presidente Lula também investe em uma chapa mais abrangente, com o PSB garantido ao preservar o vice-presidente Geraldo Alckmin ao seu lado no plano nacional. O partido já chegou ao segundo turno em São Paulo, em 2018, com Márcio França, que continua dando as cartas pelo PSB no estado e tenta se posicionar como postulante ao Senado, o que exige jogo de cintura de Haddad. PSOL e Rede, que compõem uma federação, defendem a candidatura de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, ao lado de Simone Tebet, que chefiava o Planejamento e trocou o MDB pelo PSB para concorrer em São Paulo. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), ex-candidato a prefeito de São Paulo, foi escalado como um dos coordenadores da campanha lulista na posição de ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Resolução do partido aprovada pela executiva estadual, em meados de abril, aponta que Haddad seria o candidato mais viável para derrotar “o bolsonarista Tarcísio de Freitas” e defende uma “unidade coerente com o campo progressista”. O PSOL indicou representantes para a formulação do plano de governo do petista, mas a posição do partido de Lula de que é necessário compor com setores liberais para melhorar as chances de desbancar Tarcísio desagrada alas internas. A depender da quantidade de candidatos dos chamados “partidos nanicos”, que não têm direito a tempo de propaganda gratuita em rádio e TV, a próxima eleição ao governo paulista pode ser uma das mais concentradas desde a redemocratização. Em 1990, foram oito candidatos, e em 2010, nove concorrentes, antes de uma parcela ser declarada inapta pela Justiça Eleitoral ou desistir da campanha. O pleito foi decidido em primeiro turno em três ocasiões, com José Serra, em 2006, e Geraldo Alckmin, em 2010 e 2014. Eram mandatos de continuidade, assim como Tarcísio, em meio à onda tucana que governou o estado por 28 anos consecutivos. Nas três eleições com resultados precoces, o PSDB enfrentou partidos historicamente competitivos no estado, como MDB, PSB e PP, além do próprio PT.