Rubio: Permitir ao Irã controlar o estreito de Ormuz seria 'precedente perigoso'Em Manila, nas Filipinas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a acusar o Irã de ameaçar a segurança marítima. Crédito: AKIO WANG / AFPTV FOR AGENCY POOL / AFPGerando resumoA Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo, 9, que manterá o bloqueio do Estreito de Ormuz até que os Estados Unidos aceitem todas as exigências feitas pelo governo iraniano para a reabertura da via marítima.PUBLICIDADE“Nossa estratégia atual é manter este estreito fechado até que o inimigo aceite todas as nossas condições”, declarou o porta-voz da Guarda, Hossein Mohebi, citado pela televisão estatal iraniana. O porta-voz acrescentou: “O estreito é agora, para nós, um verdadeiro cenário de guerra, e não simplesmente uma via marítima”. No sábado, 8, Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgou um comunicado na mídia estatal do país em que lista uma série de exigências a serem cumpridas pelos EUA para que o tráfego marítimo em Ormuz seja reaberto. PublicidadeZolghadr pediu, conforme relato do New York Times, que os Estados Unidos levantem o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares dos EUA das proximidades do Irã, paguem reparações de guerra e liberem ativos iranianos congelados, além de cessarem ataques contra aliados do Irã na região e ameaças contra o país. O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ao centro, cercado por seguranças enquanto caminha durante a comemoração de Arbaeen em Najaf, Iraque, na segunda-feira, 3 de agosto de 2026 Foto: AP Photo/Anmar KhalilEm junho, Irã e EUA haviam estipulado um cessar-fogo. O acordo previa que as sanções americanas só seriam totalmente suspensas caso Teerã se comprometesse a não produzir armas nucleares. Autoridades americanas já afirmaram no passado que o Irã só poderia acessar seus fundos congelados se desistisse de seu “urânio altamente enriquecido”. O Irã fechou o estreito em retaliação por ter sido atacado pelos Estados Unidos e Israel em fevereiro. Exigências frustram expectativas de reabertura para comércioAs exigências aos EUA chegam no momento em que Irã e Omã, país árabe do Golfo Pérsico, negociam um acordo para controle do Estreito de Ormuz. PublicidadeAbbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, disse neste domingo que os dois países estão trabalhando para estabelecer um acordo temporário para a passagem marítima segura, segundo divulgado pela agência de notícias iraniana Tasnim.A expectativa era de que o acordo com Omã facilitaria a reabertura total do Estreito de Ormuz para comércio, o que aliviaria os preços globais de energia. A via é amplamente utilizada para transporte de petróleo.Leia tambémIrã emite lista de exigências e complica esforços para reabrir o Estreito de OrmuzCada vez mais irritado, Trump não sabe como lidar com o Irã para pôr fim à guerra; entendaSegundo o New York Times, as condições impostas pelo Irã devem pressionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O aumento dos preços do consumidor interno americano, pelo bloqueio de Ormuz, representa um risco para os republicanos nas eleições de meio de mandato, em novembro. PublicidadeContudo, o ministro das Relações Exteriores do Irã deixou claro que a reabertura total de Ormuz vai depender da aceitação das exigências, segundo a agência Tasnim.Teerã considera o memorando de entendimentos firmado em junho com os EUA como uma violação. O acordo previa a abertura do Estreito de Ormuz e a suspensão temporária das sanções petrolíferas sobre o Irã. No entanto, diz o New York Times, os termos do acordo eram vagos, e os Estados Unidos e o Irã tinham interpretações diferentes sobre o que ele significava. O cessar-fogo caiu rapidamente e os conflitos foram retomados. / Com AFPVale ler tambémA invasão marroquina mostra como o mundo é feito de pedaços fora do lugar; Entenda no vídeoRevogação de visto de embaixadora é primeiro passo de escalada maior de Trump? EntendaO coronavírus escapou de um laboratório chinês? Entenda em 10 pontos as lacunas na origem da doença