Lula tem buscado interlocução com países como China e Rússia em momento de crise com o governo americano — Foto: Maxim Shemetov / Reuters Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, novas conversas com presidentes podem ocorrer nas próximas semanas. Desde julho, outros líderes também buscaram Lula para tratar de temas bilaterais. Veja com quais chefes de Estado Lula conversou nos últimos dias: 5 de agosto: Gustavo Petro, presidente da Colômbia 4 de agosto: Vladimir Putin, presidente da Rússia27 de julho: Xi Jinping, presidente da China30 de julho: Santiago Peña, presidente do Paraguai Em meio à crise com os EUA, Lula critica Marco Rubio: ‘É um anti-latino-americano’ Crises de fundo eleitoral As recentes crises colocaram sob pressão a estratégia diplomática adotada pelo presidente em diferentes mandatos. “Um traço da política externa de Lula sempre foi investir tanto em parceiros bem consolidados do norte global, quanto em buscar fortalecer uma cooperação sul-sul”, destaca Carolina Pavese, doutora em Relações Internacionais. Ao mesmo tempo, os atritos com governos como os de Estados Unidos e Argentina abriram espaço para críticas de adversários, que passaram a questionar os resultados e os rumos da diplomacia brasileira. Milei tem histórico de críticas a Lula A especialista Carolina Pavese destaca que esses conflitos internacionais contribuem para polarização da política doméstica. “Isso impacta diretamente a estratégia que o Brasil emprega para promover uma defesa do Estado, porque não é só uma dissonância ideológica entre o governo de Lula e Trump e Milei. Há um ataque direto dessas lideranças para impulsionar essa polarização”, afirma Pavese. Insistência no diálogo Mesmo diante dos conflitos, integrantes do Planalto e do Itamaraty afirmam que a política externa busca manter canais de diálogo abertos, além de ampliar o protagonismo do Brasil em assuntos de interesse global. Em setembro, pautas como mudanças climáticas e defesa do multilateralismo devem ganhar destaque na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O presidente Lula deve participar do encontro. O presidente Lula em discurso na ONU em 2025 — Foto: Jeenah Moon/Reuters/BBC Tradicionalmente, o chefe de Estado brasileiro é o primeiro a discursar na abertura da Assembleia, espaço em que costuma apresentar as prioridades da política externa do país e as preocupações com questões mundiais. Crise com os Estados Unidos EUA cancelam visto de embaixadora brasileira: entenda a crise Carolina Pavese também destacou que, nos dois primeiros mandatos de Lula, os canais de diálogo eram mais abertos apesar das diferenças político-ideológicas. “À época, EUA tinha como presidente George W. Bush. Mesmo sendo um republicano, havia um canal de diálogo e cooperação em agendas de interesse mútuo”, avalia. Crise com a Argentina Milei tem histórico de críticas a Lula O governo brasileiro vai manter o embaixador brasileiro em Buenos Aires no Brasil enquanto Milei mantiver ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a outras autoridades brasileiras. Desde então, a representação diplomática do Brasil no país é chefiada por um encarregado de negócios. O episódio aprofundou o distanciamento que já vinha marcando a relação entre os dois governos. Em meio à crise, Milei também criticou a política externa brasileira e acusou o país de estar se isolando do mundo.
Desgastes com países parceiros ganham novos contornos com a proximidade da eleição no Brasil | G1
Embates com EUA e Argentina marcam nova fase da diplomacia brasileira, enquanto Lula busca apoio internacional em meio ao avanço da direita.













