Os paleoantropólogos passaram algumas décadas destacando a importância da proteína e da gordura de origem animal para a evolução humana, mas um grupo de especialistas agora defende que é preciso adoçar um pouco essa história. Para eles, a busca por açúcar teria sido igualmente importante para moldar a nossa trajetória evolutiva.
A equipe cunhou até uma sigla para condensar a ideia. Trata-se da palavra inglesa "Sweet" ("Doce"), cujas letras correspondem à frase "os açúcares foram essenciais para a evolução também"). É com ela que o grupo liderado por Jennie Brand-Miller, da Universidade de Sydney, na Austrália, conclui seu artigo publicado na última quinta-feira (6) no periódico especializado Science.
O quarteto formado por Brand-Miller e seus colegas examinou o consumo desse tipo de molécula nas dietas de grandes primatas não humanos e populações tradicionais de hoje, bem como a maneira como os açúcares são metabolizados pelo organismo da nossa espécie e de seus parentes. Com isso, eles chegaram à conclusão de que a busca por essas substâncias na dieta foi uma peça-chave para o desenvolvimento do cérebro humano ao longo de milhões de anos, por exemplo.
O órgão, afinal de contas, é especialmente ávido por glicose (a forma "básica" do açúcar, empregada nas diferentes funções do metabolismo de energia do organismo), principalmente no caso de gestantes, dos fetos que elas carregam e das crianças.











