"Achei que nunca mais fosse abraçá-la. Eu lembrava dela arrumando a casa, cantando. Lembrava das nossas conversas, das discussões que todo pai tem com um filho. Ela tem 26 anos e até hoje me chama de 'papito'. Eu lembrava disso tudo e começava a chorar", conta o pai. Na época do desaparecimento, Sidney estava em São Paulo, onde trabalha, enquanto a família permanecia em São Sebastião. A notícia chegou durante a madrugada. Mulher resgatada após passar 42h à deriva em alto-mar recebe alta do hospital em Ilhabela "Eu soube da informação por volta da uma hora da manhã. Daquele momento em diante, eu não dormi mais. Ainda tentei trabalhar, conversei com o engenheiro sobre o que tinha acontecido com a minha filha, chorei e fui liberado para voltar para casa", relembra. Ao retornar para casa, percebeu que não havia muito o que pudesse fazer. As buscas aconteciam no mar, enquanto ele aguardava notícias ao lado da esposa. Durante aquelas horas, as lembranças da filha tomavam conta dos pensamentos. "O que mais me deixava angustiado era imaginar que ela devia estar me chamando: 'Papito, papito, me ajuda'. E eu sem poder fazer nada. Se ela estivesse perdida em uma mata, eu ajudaria a procurar. Mas no oceano eu não tinha o que fazer. Era um sentimento enorme de impotência", diz. Bruna Damaris e Dheorge Bernardino andavam de moto aquática quando desapareceram. Ela foi encontrada à deriva. — Foto: Reprodução Na madrugada do segundo dia de buscas, quando Bruna já estava desaparecida havia cerca de 36 horas, Sidney e a esposa fizeram uma oração. Cristão, ele conta que, naquele momento, acreditava que humanamente as chances de encontrar a filha com vida eram muito pequenas, mas decidiu manter a esperança e entregar a situação nas mãos de Deus. A notícia que mudaria tudo chegou poucas horas depois. Sidney estava em casa quando recebeu a informação de que Bruna havia sido encontrada com vida. "Era por volta das 10 horas da manhã. Eu tinha acabado de sair para comprar um pão de queijo e um suco para minha esposa, que estava muito abatida. Recebi a informação de que minha filha tinha sido encontrada", relembra. Segundo ele, a experiência mudou a forma como vive a relação com a filha. Neste Dia dos Pais, ele diz que a maior lição deixada por toda a experiência foi entender a importância de aproveitar cada instante ao lado dos filhos. "Quando eu abraço a minha filha, lembro de tantos pais e mães que não tiveram essa oportunidade. Hoje, sempre que posso, faço questão de estar com meus filhos. Convidei minha filha para tomar um café aqui em casa. Quero aproveitar cada momento. Porque, se eu tiver 70 anos e ela 50, ela vai continuar sendo a minha filhinha." Sidney e Bruna Damaris se abraçam e pai relembra momentos do desaparecimento. — Foto: Acervo pessoal Relembra o caso O caso aconteceu em maio deste ano, quando Bruna Damaris e o amigo Dheorge Pereira Bernardino saíram para um passeio de moto aquática em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. Após a embarcação afundar, os dois ficaram à deriva no mar. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
Filha à deriva em Ilhabela: pai relembra as 42 horas de angústia | G1
No Dia dos Pais, Sidney José da Silva descreve a impotência e a fé durante o tempo em que sua filha, Bruna Damaris, ficou desaparecida no mar de Ilhabela.








