"Pela lógica humana, minha filha não estava mais conosco", diz à Folha Sidney José da Silva, 50, pai de Bruna Damaris Sant’anna da Silva, 26, que permaneceu desaparecida no mar, no litoral norte de São Paulo, por 40 horas.

Morador de São Sebastião, ele acompanhou as buscas enquanto o tempo avançava sem notícias da filha e as chances de encontrá-la com vida diminuíam. O resgate ocorreu depois que um pescador desviou da rota habitual da embarcação e avistou Bruna à deriva, debilitada e desidratada.

No hospital, ela relatou à família os momentos vividos enquanto permaneceu sozinha no mar. De acordo com o pai, a jovem contou que achava que não sobreviveria.

"Ela falou para mim que, na mente dela, já tinha escrito uma carta de despedida. Um bilhete para mim, para a mãe e para toda a família", disse Silva. Segundo ele, a filha descreveu um quadro de exaustão extrema, já sem forças para continuar tentando se manter consciente.

Foi nesse momento que Bruna avistou um barco ao longe. Inicialmente, achou que pudesse ser uma ilusão provocada pelo desgaste físico e pela desidratação.