Pacote foi detalhado poucas horas após a posse de Espriella, o mais novo aliado de Trump na América Latina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente dos EUA, Donald Trump, promete enviar recursos para a segurança do novo governo da Colômbia, seu potencial aliado — Foto: Jim Watson / AFP Os EUA anunciaram nesta sexta (7) a intenção de enviar um pacote de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para assistência de segurança ao novo governo de Abelardo de la Espriella, presidente ultradireitista empossado hoje na Colômbia. No documento oficial, o Departamento de Estado classificou esta como "uma nova era nas relações entre EUA e Colômbia" e deu as boas-vindas aos sul-americanos na sua entrada no chamado Escudo das Américas, grupo de cooperação militar criado por Trump em março que teria o intuito de combater a atuação de cartéis. Efetivamente, a aliança representa os apoiadores do governo do republicano na América Latina: Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidade e Tobago. Os fundos americanos destinados à Colômbia teriam o intuito de "desmantelar redes transnacionais de narcoterrorismo" a partir de seis metas detalhadas por Trump: Fortalecimento das forças de segurança da Colômbia: para o combate às chamadas "organizações terroristas estrangeiras" e "organizações criminosas transnacionais", os EUA preveem o uso de tecnologia americana "sem igual", revisão de gastos de defesa para "melhora da eficiência", construção de interoperabilidade e execução de operações coordenadas com forças americanas;Interrupção das operações de organizações terroristas e/ou criminosas internacionais: plano inclui congelamento de bens e levar aqueles que financiam ou sustentam suas atividades aos bancos dos réus;Expansão "significativa" de operações de erradicação da coca e interdição do tráfico de cocaína;Suspensão de fluxos ilegais de imigração: EUA esperam que haja coordenação mais próxima na questão de segurança de fronteira;Recuperação, manutenção e desenvolvimento de presença do Estado em território antes controlado por grupos armados: os esforços devem incluir remoção humanitária de minas terrestres, coordenação de operações de segurança, justiça e investimentos econômicos em regiões consideradas de alto nível de ameaça;Proteção de crianças de recrutamento forçado e exploração por grupos armados. Apoio declarado a Espriella e parceria energética O candidato presidencial da Colômbia pelo movimento Defensores de la Patria, Abelardo de la Espriella, fala aos apoiadores por trás de um vidro à prova de balas após os resultados preliminares do segundo turno das eleições presidenciais no monumento Ventana al Mundo em Barranquilla, Colômbia, em 21 de junho de 2026 — Foto: JUAN BARRETO / AFP O governo Trump ainda vê esta como uma "oportunidade de desbloqueio de oportunidades econômicas" graças à "agenda pró-crescimento e de abertura a investimentos americanos do presidente de la Espriella". Por isso, o plano delineado pelo Departamento de Estado ainda promete contribuição americana a fundos internacionais de alívio humanitário e futuros pacotes de ajuda a comunidades colombianas em recuperação de enchentes relacionadas ao El Niño, seca e outros desastres naturais. Por meio de um "diálogo bilateral de prosperidade", uma plataforma que deve ser lançada pelos dois países, negociações deverão criar novas oportunidades para investidores americanos nas áreas de geração e distribuição de energia, além de exploração de minérios. Trump ainda promete que irá fortalecer não apenas a indústria energética colombiana como as pequenas e médias empresas do agronegócio, indústria e serviços de tecnologia como uma espécie de intermediário, ligando-as a possíveis compradores americanos e outras cadeias de abastecimentos alinhadas aos interesses dos EUA. A Colômbia, segundo o documento, deverá se tornar um novo parceiro próximo para diversificação do fornecimento de matéria-prima. A cooperação em energia nuclear entre os dois países também deve avançar: os EUA a querem como um "parceiro de longo prazo" na indústria nuclear com aplicações pacíficas, indica o texto. Fim das hostilidades e um novo "plano Colômbia" Como O GLOBO mostrou, Espriella chegou ao poder com uma campanha baseada na promessa de combater com firmeza os poderosos traficantes de drogas do país, com o auxílio dos EUA – uma virada de 180º após anos de desavenças entre Washington e Bogotá. Seu chamado "Plano Colômbia II" faz referência a um acordo multimilionário firmado com Washington na década de 2000, com o objetivo de combater os cartéis de drogas e grupos de esquerda. Espriella ainda designou Medellín como o centro da nova aliança de Trump, o Escudo das Américas, iniciativa que as autoridades americanas comparam às suas campanhas militares contra a al-Qaeda e o Estado Islâmico. Antes da eleição de Espriella em junho, o governo Trump havia feito poucos progressos com a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína e, tradicionalmente, o aliado mais próximo de Washington na região. Ainda no cargo de presidente, Gustavo Petro criticou a estratégia de combate ao tráfico de Trump e classificou como assassinato os ataques militares dos EUA contra embarcações que, segundo a administração Trump — sem apresentação de provas —, transportavam drogas ao largo da costa da América do Sul. Estes ataques já mataram pelo menos 221 pessoas. As autoridades dos EUA impuseram sanções a Petro, retiraram a certificação da Colômbia como parceira no combate ao narcotráfico e ameaçaram cortar a ajuda ao país. As operações militares foram amplamente suspensas durante grande parte do mandato de Petro, à medida que seu governo buscava negociações de paz com grupos armados — uma medida que, segundo seus críticos, permitiu a expansão desses grupos.