Associação questiona processo de elaboração de norma pelo BC, que teria dado apenas quatro dias úteis para setor se manifestar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) criticou a decisão do Banco Central de estabelecer uma retenção cautelar de até 24 horas para determinadas transferências de ativos virtuais destinadas a empresas do setor no exterior e a carteiras autocustodiadas. A regra, prevista na Resolução BCB nº 584, publicada nesta sexta-feira (7), entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. A entidade afirma reconhecer o objetivo de combater fraudes e lavagem de dinheiro, mas considera que o instrumento escolhido não é adequado para enfrentar esses crimes. Segundo a associação, uma retenção baseada em prazo pode atingir também operações legítimas e reduzir uma das principais vantagens das transferências com ativos virtuais: a rapidez da liquidação. “A divergência que registramos aqui é técnica: diz respeito à adequação entre o instrumento escolhido e o problema que se pretende enfrentar. E, nesse ponto, a medida não vai funcionar”, afirmou Júlia Rosin, diretora-presidente da ABcripto. Pela nova norma, transferências que superem US$ 10 mil, considerando também a soma das operações feitas pelo cliente no mesmo dia, ficam sujeitas à retenção. Abaixo desse valor, a medida também poderá ser aplicada caso a instituição identifique riscos relacionados ao cliente, à operação, à contraparte ou à jurisdição de destino. A instituição poderá liberar a transferência antes do prazo de 24 horas, desde que a decisão seja fundamentada e documentada. A ABcripto argumenta que a regra pode levar parte dos usuários que dependem de liquidação rápida a buscar alternativas fora de prestadoras reguladas no Brasil, como protocolos de finanças descentralizadas (DeFi), negociações diretas entre pessoas ou outros intermediários. Na avaliação da entidade, esse deslocamento reduziria a capacidade de rastreamento das operações pelas autoridades. A associação também questiona o processo de elaboração da norma. Segundo Rosin, o setor teve quatro dias úteis para se manifestar sobre a proposta, enquanto pedidos apresentados anteriormente ao BC sobre a aplicação de regras já vigentes permanecem sem resposta. “Regulação que dura não se constrói assim”, afirmou. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o Banco Central tem sido pressionado por respostas mais rápidas diante da sucessão de episódios de fraude e ataques envolvendo o sistema financeiro, e esse ambiente tem reduzido o espaço para consultas mais longas ao mercado e para o estudo de alternativas antes da edição de novas regras. A fonte também chama atenção para limitações de estrutura dos órgãos responsáveis pela supervisão e regulação do setor, num momento em que BC, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) passam a lidar com novas atribuições relacionadas a ativos digitais. A ABcripto aponta para a ausência de uma Análise de Impacto Regulatório (AIR). A entidade diz que pretende avaliar os fundamentos utilizados pelo BC para a edição da norma e uma eventual justificativa para a dispensa desse procedimento. Em julho, a associação já havia solicitado formalmente ao regulador que não avançasse com a retenção nos termos então apresentados. Na manifestação anterior, a ABcripto também havia questionado a possibilidade de usuários contornarem o limite de US$ 10 mil por meio do fracionamento das operações. A redação final da norma, no entanto, passou a considerar o valor total das transferências realizadas pelo cliente no mesmo dia, fechando essa possibilidade pelo critério de valor. — Foto: Gerd Altmann/Pixabay
ABcripto critica retenção de transferência ‘cripto’ por até 24 horas
Associação questiona processo de elaboração de norma pelo BC, que teria dado apenas quatro dias úteis para setor se manifestar







