O imóvel, localizado na Avenida Pasteur, foi avaliado pela Caixa em R$ 1,011 milhão e poderá ser arrematado por lance mínimo de R$ 644,3 mil, desconto de cerca de 36% em relação ao valor da avaliação. A venda será realizada na modalidade de licitação aberta, em que vence quem apresentar a maior proposta acima do preço mínimo. A informação foi revelada pelo jornalista Ruben Berta, no Jornal Ururau, e confirmada pelo g1 por meio da análise de documentos públicos. Relembre abaixo reportagem sobre a compra de apartamentos com dinheiro vivo: Irmãos Bolsonaro compraram imóveis com dinheiro vivo, mostra levantamento em cartórios Os documentos obtidos pelo g1 mostram que Eduardo Bolsonaro financiou R$ 780 mil na compra do apartamento, por meio de contrato firmado com a Caixa em outubro de 2017, com prazo de 420 meses. Após o não pagamento das parcelas, o banco iniciou o procedimento de cobrança, consolidou a propriedade em seu nome em março deste ano e incluiu o imóvel entre os bens ofertados em licitação pública. Pagamento em dinheiro vivo O apartamento já havia sido alvo de reportagens em 2020 por causa da forma de pagamento utilizada na compra. Segundo a escritura pública do imóvel, Eduardo Bolsonaro deu um sinal de R$ 81 mil, pagou R$ 100 mil em espécie no ato da assinatura da escritura e se comprometeu a quitar outros R$ 18,9 mil poucos dias depois. O restante do valor da compra foi financiado pela Caixa Econômica Federal. Como registrado na escritura, ele pagou R$ 160 mil por um apartamento em um endereço de Copacabana. Foram pagos R$ 110 mil no ato com cheque administrativo e os outros R$ 50 mil, em espécie. A escritura do apartamento de Copacabana revela também que o imóvel foi comprado por um valor inferior ao que a prefeitura avaliava na época. No documento está descrito que a Secretaria Municipal de Fazenda, para efeitos fiscais, avaliou o imóvel em R$ 228 mil. Eduardo Bolsonaro pagou 30% a menos do que o valor de referência da prefeitura. Histórico do imóvel O apartamento que vai à leilão fica na Avenida Pasteur, em Botafogo, tem cerca de 101 metros quadrados e está localizado no terceiro andar de um edifício de frente para a Baía de Guanabara. A matrícula mostra que Eduardo Bolsonaro adquiriu o imóvel por meio de instrumento particular com força de escritura pública, registrado em outubro de 2017. Na mesma data, foi registrada a alienação fiduciária em favor da Caixa, referente ao financiamento de R$ 780 mil, com prazo de 420 meses pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Após a inadimplência do contrato, a Caixa tentou intimar pessoalmente o então proprietário e, sem sucesso, promoveu a intimação por edital eletrônico publicado nos dias 5, 6 e 7 de novembro de 2025, concedendo o prazo legal para regularização da dívida. Como os pagamentos não foram efetuados, a propriedade foi consolidada em nome da Caixa em 30 de março de 2026. A matrícula também registra que, após a transferência do imóvel, a Caixa recolheu R$ 31.471,83 de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) ao município do Rio de Janeiro. Com a consolidação da propriedade, foram cancelados os registros da alienação fiduciária e da cédula de crédito imobiliário vinculados ao financiamento. Agora, o imóvel integra a Licitação Aberta da Caixa, marcada para o dia 20 de agosto. O edital prevê disputa exclusivamente online, vencendo o participante que apresentar a maior oferta acima do valor mínimo estabelecido pelo banco. Indisponibilidade determinada por Alexandre de Moraes Antes da retomada do imóvel pela Caixa, a matrícula recebeu uma averbação de indisponibilidade de bens determinada pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados O registro foi lançado em 22 de julho de 2025 e faz referência a uma ordem expedida no âmbito de processo em tramitação no STF. A matrícula, no entanto, não reproduz o teor da decisão nem informa seus fundamentos. Mesmo após essa averbação, o procedimento de execução do financiamento teve continuidade. A Caixa promoveu as intimações previstas em lei, consolidou a propriedade do apartamento em seu nome em março deste ano e incluiu o imóvel na licitação marcada para agosto. O que dizem os citados O g1 procurou a Caixa Econômica Federal para confirmar as informações e pedir esclarecimentos sobre o procedimento de retomada do imóvel e o leilão. A Caixa também foi perguntada se a indisponibilidade de bens registrada na matrícula produz algum efeito sobre a realização do leilão. Até a última atualização desta reportagem, o banco não havia se manifestado. A defesa de Eduardo Bolsonaro também foi procurada, mas ainda não retornou os contatos feitos.