Patrimônio de Jair Renan aumentou 345% em dois anos, apontam registros de candidatura 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 À direita, Jair Renan na Câmara de Balneário Camboriú; à esquerda, em manifestação — Foto: Reproduções O filho 04 de Jair Bolsonaro (PL) registrou a candidatura a deputado federal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o nome de urna do pai — mesma estratégia adotada em 2024, quando foi eleito pela primeira vez para um cargo eletivo. Vereador de Balneário Camboriú, Jair Renan Valle Bolsonaro tentará em outubro uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de Santa Catarina no que disse ter sido uma "missão" dada a ele pelo ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar pela participação na trama golpista. No mês passado, Jair Renan anunciou oficialmente a pré-candidatura e disse que o movimento era para "continuar lutando pelos brasileiros". Em Balneário, Jair Renan é criticado por adversários pela baixa produtividade parlamentar e por discursos públicos no plenário voltados assuntos alheios ao dia a dia da cidade. Ao TSE, Jair Renan declarou um patrimônio de R$ 187.366,28. Aos 28 anos, ele diz ter em seu nome um Volkswagen Jetta 2015 de R$ 65 mil e mais R$ 122 mil em duas contas bancárias. Em 2024, seus bens somavam R$ 42.069,79, divididos em duas contas. Isso significa um aumento de mais de 345% nos últimos dois anos. Desta vez, Jair Renan não incluiu informações no campo de orientação sexual do registro de candidatura. Em 2024, ele se declarou heterossexual. No comunicado de lançamento da pré-candidatura, em julho, Jair Renan afirmou que a campanha será feita ao lado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O objetivo, segundo ele, é seguir "firmes na defesa de Deus, Pátria, Família e Liberdade". "Essa caminhada é feita ao lado de cada patriota que acredita em um Brasil forte, livre e próspero", completou. Eleito em 2024, Jair Renan conquistou pouco mais de 3 mil votos, sendo o vereador mais votado de Balneário. Ele se mudou para Santa Catarina para iniciar a vida política após ter a vida dividida entre Rio de Janeiro e Brasília. A estratégia é a mesma adotada pelo irmão, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL). Ele deixou o mandato na Câmara do Rio de Janeiro para lançar sua candidatura ao Senado por Santa Catarina, em uma articulação que alterou as alianças locais para a formação da chapa do PL e gerou críticas de prefeitos do partido e de siglas aliadas. Atuação turbulenta No plenário, Renan é considerado quieto, mas já acumula alguns desentendimentos. Logo no dia 1° de janeiro, ele usou o microfone para acusar o correligionário Kaká Fernandes de "traição". O motivo foi uma discordância na articulação do partido durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que terminou com a vitória de Marcos Kurtz (Podemos), ligado a outro grupo político. Depois, ele foi o único voto contrário ao projeto protocolado pelo vereador Eduardo Zanatta, do PT, para instituir o Dia da Democracia em homenagem ao ex-prefeito Higino Pio, morto pela ditadura militar em 1969. Primeiro mandatário da cidade, Pio foi sequestrado no exercício da função, mas somente neste ano sua família conseguiu obter o reconhecimento na certidão de óbito, que apontava suicídio. Renan, por sua vez, disse não confiar na Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar as violações dos militares, e argumentou que “para a maioria dos mais velhos, se você perguntar, foi a melhor época do Brasil”. Em agosto de 2025, a troca de farpas foi com Kurtz, criticado por Renan devido à condução da Câmara e aos gastos com obras na Casa. Ele alegou ter sido chamado de "Xandão de BC" pelo filho do ex-presidente, em alusão ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). — O senhor não abre a boca, só fala fora de hora — rebateu Kurtz. — Já que gosta tanto de fazer comparações, eu acho que o senhor é parecido com o (deputado federal) Tiririca. Deveria botar lá: 'pior do que tá não fica'. Porque o senhor não fala, está aqui fazendo não sei o quê. Depois, o embate foi com a prefeita Juliana Pavan (PSD), que afirmou ao podcast “Cabeça de Político” que o vereador deveria buscar "mais capacitação" e “ler mais" os projetos em tramitação. As críticas ocorreram após ele ter sido o único voto contrário a um projeto enviado pelo Executivo para combater o furto de fios. — Respeito o posicionamento dele, apesar de ele quase não se posicionar, e, quando se posiciona, eu não consigo entender o que ele fala — disse a prefeita sobre Renan, que a rebateu nas redes sociais: "analfabeta funcional", escreveu. Em setembro de 2025, ele usou o espaço para “mandar um recado à esquerda” após a delegação brasileira abandonar o discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral da ONU. Com um cachecol de Israel, ele mostrou um QR Code com imagens "sem censura" das ações do grupo terrorista Hamas. Em julho, o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara de Balneário, vereador Eduardo Zanatta (PT), pediu à Casa legislativa que destituísse Jair Renan do colegiado. Com base no regimento, o petista citou faltas injustificadas do filho do ex-presidente.
Filho usa 'Jair Bolsonaro' na urna em SC, declara R$ 187 mil em bens e não informa orientação sexual
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